Conhecidos todos os programas dos partidos para as eleições legislativas, é hora de analisar as propostas neles apresentados. Foi isso que fizeram vários internautas nos últimos dias, percorrendo uma a uma as 122 páginas do programa do PS. O resultado foi o seguinte:

"Queria dar os parabéns a quem escreveu o programa do Partido Socialista para a Cultura. O realismo de se comprometerem a criar museus que já existem, como o Museu Nacional de Fotografia (Porto) e o Museu Nacional de Arte Contemporânea (Lisboa) é de louvar"; "O 'Museu Nacional de Arte Contemporânea' já não é 'do Chiado'?"; "O PS promete para a cultura criar um Museu que já existe. É só mais um insulto".

O Polígrafo foi consultar o programa eleitoral do PS e verificou que o partido liderado por António Costa propõe um total de 60 medidas relacionadas com o setor da Cultura, que incluem "valorizar os museus, os monumentos e o património cultural".

No documento sublinha-se que "o património cultural é uma responsabilidade coletiva", sendo assim necessária uma "visão integrada e participada para as políticas sobre o património cultural e os museus, centrada na preservação da diversidade cultural, na construção da memória social e no acesso alargado à sua fruição".

Nesse sentido, o PS tenciona implementar uma série de medidas, entre as quais "intervenções em património cultural classificado (...), abrangendo um universo de 46 museus, palácios e monumentos; reorganização da Direção-Geral do Património Cultural e definir e implementar um modelo de gestão dos museus assente na sua maior autonomia; criar o Museu Nacional da Fotografia, a partir dos equipamentos já existentes, com um novo modelo de gestão partilhada entre a Administração Central e a Administração Local e a instalação de dois núcleos no território nacional; criar o Museu Nacional de Arte Contemporânea".

Esta medida que gerou polémica nas redes sociais volta a surgir mais à frente no documento, desta vez formulada de maneira diferente: "Promover as artes visuais contemporâneas, em especial dos artistas portugueses, nomeadamente através de (...) um novo Museu Nacional de Arte Contemporânea".

Ao Polígrafo, fonte oficial do PS justifica que "essas duas propostas dizem respeito a medidas que já constavam do programa eleitoral do PS em 2019 e do programa do XXII Governo Constitucional mas que, fruto da interrupção da legislatura, não se encontram ainda concluídas, havendo já alguns trabalhos em curso".

No que respeita ao Museu Nacional da Fotografia, a mesma fonte indica que "este não existe", existindo sim uma estrutura de arquivo no Porto, dependente da DGLAB (arquivos) e não da DGPC (museus). "Já foi constituído e está em funcionamento um grupo de trabalho com vista à futura criação do Museu Nacional da Fotografia, a partir dos equipamentos existentes (como o referido arquivo do Porto, entre outros)".

Quanto ao Museu Nacional de Arte Contemporânea, o objetivo consiste em, "a partir do existente museu, promover a criação de um Museu Nacional mais vasto dedicado à arte contemporânea nas suas diversas manifestações - como já se referia, de resto, no programa eleitoral de 2019".

_____________________________

Avaliação do Polígrafo:

Assine a Pinóquio

Fique a par dos nossos fact checks mais lidos com a newsletter semanal do Polígrafo.
Subscrever

Receba os nossos alertas

Subscreva as notificações do Polígrafo e receba os nossos fact checks no momento!

Em nome da verdade

Siga o Polígrafo nas redes sociais. Pesquise #jornalpoligrafo para encontrar as nossas publicações.
Verdadeiro, mas...
International Fact-Checking Network