Num artigo difundido nas redes sociais remete-se para um estudo supostamente "encomendado pela Administração dos Transportes da Suécia e pela Agência Energética da Suécia", com o objetivo de "investigar a poluição libertada pela produção das baterias de iões de lítio e os impactos das mesmas no seu ciclo de vida".

O texto indica que "o fabrico de baterias origina um elevado valor de emissões" e que  "cada kWh de capacidade da bateria gera entre 150 a 200 quilogramas de CO₂" apenas na fábrica. "Quer isto dizer que uma bateria de 30 kWh emite, na produção, 4500 quilos de CO₂. Mas se estivermos a falar de uma bateria de 100 kWh esse valor é quase ofensivo: 15 toneladas de CO₂", acrescenta o texto.

De acordo com o mesmo artigo, que se baseia no estudo sueco, "metade das emissões vem da produção de matérias primas e da produção de baterias, enquanto a mineração representa entre 10 a 20%", partindo do pressuposto que "a energia utilizada no fabrico das baterias utiliza mais de 50% de combustíveis fósseis".

"Portanto, quando falamos de mobilidade sustentável e dizemos que os carros elétricos emitem zero gramas de CO₂, não podemos esquecer este facto: a produção das baterias liberta tanto CO₂ como um carro a gasolina durante oito anos de utilização", conclui-se.

Será verdade?

Questionado pelo Polígrafo, Rui Costa Neto, investigador no Instituto Superior Técnico e pós-doutorado em Engenharia Mecânica, sublinha que "os números estão corretos se as baterias forem produzidas apenas com eletricidade de origem fóssil".

"Se as baterias forem produzidas como eletricidade 100% renovável, não há praticamente qualquer tipo de emissões de CO₂, e aí a notícia seria completamente falsa. Vai depender sempre da origem da eletricidade com que as baterias são feitas", destaca.

O estudo referido na publicação sob análise existe mesmo e foi, de facto, financiado pela Administração dos Transportes da Suécia e pela Agência Energética da Suécia. O documento tem como título "A energia do ciclo de vida. Consumo e emissão de gases com efeito de estufa de baterias de iões de lítio" e consiste numa "revisão das avaliações de ciclo de vida disponíveis em baterias de iões de lítio para veículos leves". Rui Costa Neto afirma tratar-se de um "estudo credível e bem suportado".

Em suma, e de acordo com o especialista, os números estão corretos "se as baterias forem produzidas apenas com eletricidade de origem fóssil". Se for utilizada eletricidade 100% renovável, as emissões de CO2 seriam residuais.

Um outro estudo da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E na sigla inglesa), publicado a 20 de abril de 2020, demonstra que uma bateria eléctrica "paga a sua dívida de CO₂", ou seja, os gases emitidos durante a produção, no período de um ano ou menos.

O mesmo estudo sublinha que, em média, os automóveis elétricos em circulação na União Europeia emitem quase três vezes menos dióxido de carbono (CO₂) do que os carros a gasolina e gasóleo, ou seja, emitem menos 66% de CO2 comparativamente aos carros a gasóleo, e menos 68% no que diz respeito às versões a gasolina.

Em suma, a emissão de CO₂ durante a produção de baterias elétricas vai sempre depender da origem da eletricidade com que as baterias são feitas. Os dados apresentados no artigo em análise estão corretos se as baterias forem produzidas apenas com eletricidade de origem fóssil.

__________________________________________

Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Verdadeiro: as principais alegações do conteúdo são factualmente precisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Verdadeiro" ou "Maioritariamente Verdadeiro" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

Siga-nos na sua rede favorita.
Verdadeiro, mas...
International Fact-Checking Network