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Procissão do Corpo de Deus evitou passar pelo Martim Moniz para “não ofender os imigrantes”? 

Sociedade
O que está em causa?
De acordo com uma publicação no X/Twitter, a Procissão do Corpo de Deus, em Lisboa, "mudou o trajeto para não passar por Martim Moniz e 'não ofender os imigrantes'". Foi realmente esse o motivo?
© Agência Lusa

A Procissão do Corpo de Deus realizou-se no dia 4 de junho e teve início no Largo da Sé, em Lisboa. Este ano, o trajeto foi alterado e um dos pontos de passagem removidos foi a praça do Martim Moniz.

De acordo com uma denúncia nas redes sociais, a decisão terá sido motivada pelos imigrantes que se sentiriam ofendidos pela celebração cristã.

Para “não ofender os imigrantes“, alega-se na publicação em causa. “Isto é incrível, já temos guetos que estão fora do controlo da República…”

Esta história tem fundamento?

Não. A decisão do Patriarcado de Lisboa – tornada pública cerca de um mês antes da celebração – foi alvo de críticas e levou à emissão de um comunicado no dia 12 de junho.

Contactado pelo Polígrafo, o Patriarcado de Lisboa explica que a alteração do percurso “teve uma motivação exclusivamente pastoral e organizativa”, no sentido de “permitir que outras zonas da cidade de Lisboa pudessem também acolher este momento de fé”. Visando esse objetivo foram incluídas zonas como o Terreiro do Paço, a Praça do Município e a Rua do Arsenal.

Mais, clarifica que “a interpretação segundo a qual a exclusão do Martim Moniz teria resultado de qualquer intenção de evitar aquela zona da cidade não tem qualquer fundamento”. E recorda que “a Igreja Católica continua a promover regularmente celebrações e procissões que atravessam o Martim Moniz, como a Procissão de Nossa Senhora da Saúde e a Procissão do Senhor dos Passos”, que nunca causaram qualquer problema.

Sublinha ainda que a inclusão do Martim Moniz no trajeto “não corresponde a uma tradição secular da Procissão”. O local apenas começou a fazer parte da rota em 2015, devido a obras na Rua dos Condes de Monsanto e “questões logísticas relacionadas com a extensão do percurso”.

Finalmente, a instituição eclesiástica considera que a “Procissão do Corpo de Deus é uma manifestação pública da fé da Igreja e uma ocasião de bênção para toda a cidade de Lisboa”. Por este motivo, é natural que o seu percurso possa, ao longo dos anos, sofrer “ajustamentos que permitam que diferentes zonas da cidade sejam abrangidas”.

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Avaliação do Polígrafo: 

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