"Diretor da revista 'Discovery Saúde' (onde fazem parte 75 membros das instituições e associações mais relevantes de todo o mundo) diz que a informação que foi pedida à OMS [Organização Mundial de Saúde] e mesmo ao Instituto [de Virologia] de Whuan onde dizem ter isolado o vírus, não mostra nada. Apenas lhe enviaram um link com a suposta descoberta, onde apenas mostra que não descobriram nada. Ou seja, dos cinco passos que são o que determina a existência de um novo vírus, não existe nenhum", destaca-se num dos posts com o vídeo em causa, datado de 15 de julho.

"A investigação do SARS-CoV-2 não seguiu os 'Postulados de Koch' que são necessários nos estudos científicos para determinar que um microrganismo é a causa de uma doença e, portanto, não é fiável que a Covid-19 tenha sido causado por este novo coronavírus", afirma-se no vídeo, em língua castelhana, partilhado nas redes sociais desde há vários meses e já sinalizado pela EFE Verifica, plataforma espanhola de fact-checking, como difusor de informação falsa.

Na realidade, a investigação científica que possibilitou identificar o SARS-CoV-2 como a causa da doença Covid-19 seguiu os "Postulados de Koch". Mas quais são esses cinco passos ou regras?

Robert Koch foi um médico e cientista vencedor do Nobel da Medicina que descobriu, em 1882, o bacilo da tuberculose, o primeiro grande marco na microbiologia. Dois anos depois formulou cinco regras básicas que todas as investigações sobre doenças causadas por microrganismos devem seguir ou cumprir.

Assim, para se apurar que um determinado agente patogénico causa uma doença são necessárias quatro condições, sendo que a primeira se divide em duas.

A dupla condição inicial criada pelo cientista é que o microrganismo em estudo tem de estar presente em todos os indivíduos que padecem da doença. Inicialmente, Koch entendeu que a esta condição teria de estar associada a outra: o microrganismo não deveria ser encontrado em pessoas saudáveis. No entanto, foi o próprio a repensar e excluir esta condição quando numa investigação sobre cólera percebeu que a bactéria causal poderia ser isolada tanto em pessoas doentes como em pessoas saudáveis.

Confirma-se assim que a primeira regra foi cumprida, uma vez que o SARS-CoV-2 foi identificado em todas as pessoas que têm Covid-19. O vírus é também identificado em pessoas assintomáticas, facto que se adapta à reformulação da teoria desenvolvida pelo próprio Koch.

Para ser realizada a segunda condição da associação de um vírus a uma doença é necessário que o agente infecioso possa ser isolado para crescer num meio de cultura puro. Tal como se esclareceu no artigo da EFE Verifica, o número de vezes que foi realizado o isolamento na cultura pura do vírus encontra-se compilado pela American Library of Medicine. O novo coronavírus já foi isolado 883.541 vezes. Este processo permite realizar o maior número de sequências possíveis do genoma e, dessa forma, acompanhar a evolução das mutações do vírus que dão origem às variantes.

De acordo com um artigo disponível na página do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, intitulado como "Cultura Viral do SARS-CoV-2 no CDC", o novo coronavírus "foi isolado em laboratório" e ficou "disponível para investigações por parte da comunidade médica e científica" a partir do dia 20 de janeiro de 2020, altura em que foi reportado o primeiro paciente infetado com Covid-19 nesse país.

A terceira condição definida por Koch é a inoculação do vírus, vindo de uma cultura pura, de novo na espécie em que foi detetado, devendo provocar no animal a mesma doença observada antes de ser efetuado o isolamento. A última e quarta regra consiste no reisolamento do vírus em laboratório, onde as suas características devem ser exatamente as mesmas observadas antes de ter sido inoculada na espécie.

No dia 26 de março de 202, foi publicado na Oxford Academic um estudo intitulado como "Simulation of the Clinical and Pathological Manifestations of Coronavirus Disease 2019 (Covid-19) in a Golden Syrian Hamster Model: Implications for Disease Pathogenesis and Transmissibility". Nesta investigação recorreu-se a hamsters e foram cumpridos todos os "Postulados de Koch", tal como se indica aliás nas respetivas conclusões.

Além disso foi publicado um estudo na revista "Science", em maio de 2020, no qual o SARS-CoV-2 foi inoculado em primatas não humanos e, posteriormente, isolado numa cultura pura, cumprindo mais uma vez todas as fases determinadas por Koch.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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