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Presidente executivo dos CTT recebe salário 26 vezes superior à média dos trabalhadores da empresa?

Política
O que está em causa?
No debate requerido pelo Chega sobre “empresas públicas intervencionadas”, decorrido ontem (10 de janeiro) no Parlamento, Isabel Pires do Bloco de Esquerda contou a "história de um saque" e de como os CTT são o melhor exemplo para contrariar o argumento de que "a gestão privada era mais eficiente". Nesse âmbito afirmou que o "atual CEO dos CTT é o campeão da desigualdade salarial", ao ganhar "um salário 26 vezes maior do que a média dos trabalhadores" da empresa. Confirma-se?

Isabel Pires, deputada do Bloco de Esquerda, aproveitou o tema em debate ontem à tarde (dia 10 de janeiro) na Assembleia da República sobre as “empresas públicas intervencionadas, em especial nos CTT”, requerido pelo Chega, para contar “uma história importante, a história de um saque” e de como “a direita tem andado de mãos dadas com os interesses económicos“, sem esquecer o papel do PS “por deixar tudo na mesma”.

A bloquista começou por afirmar que “o principal argumento para justificar a privatização era de que a gestão privada era mais eficiente”, mas “se há exemplo para contrariar exatamente isto é o exemplo dos CTT”.

E apontou para o que considera, em tom irónico, ser o resultado do “belo trabalho” da privatização: “Encerraram balcões e postos, despediu trabalhadores, ajudou a isolar ainda mais muitas regiões do nosso país, nunca cumpriu os indicadores de qualidade de serviço definidos, continua a vender património, descapitalizou e continua a descapitalizar a empresa.”

Com isto, “os lucros diminuíram de 61 milhões em 2013 para 29 milhões em 2019″. No entanto, sublinhou a deputada, a privatização “provou ser eficiente numa coisa: saquear os CTT e encher os bolsos dos acionistas porque vários foram os anos em que distribuiu dividendos acima dos lucros”.

Por fim, Isabel Pires afirmou que acresce “que o atual CEO dos CTT é o campeão da desigualdade salarial. Apesar de continuar a degradação do serviço postal, atribui a si mesmo um salário 26 vezes maior do que a média dos trabalhadores desta empresa”. Concluiu o discurso ironizando que “este é o mundo maravilhoso da gestão privada”.

É verdade que o presidente executivo (ou CEO) dos CTT aufere um salário 26 vezes superior à média dos trabalhadores da empresa?

De acordo com o relatório integrado de 2022, o mais recente já publicado, o CEO da empresa CTT – Correios de Portugal, João Pereira Bento. aufere anualmente um salário bruto fixo de 563.234,46 euros.

A este montante acrescem 194.820,00 euros de uma componente variável denominada RVA (“depende da avaliação de critérios de desempenho de natureza financeira e não financeira e gradativos, tendo como período de avaliação o exercício em causa”, explica o relatório), o que perfaz uma remuneração total de 758.054,46 euros paga em 2022.

O montante pago em 2023 só será conhecido em março do presente ano quando o novo relatório for publicado, segundo o calendário financeiro disponível no site dos CTT.

Quanto à remuneração média global dos trabalhadores, esta traduz-se, segundo o mesmo relatório, em 1.127,35 euros mensais para as mulheres e 1.125,22 euros mensais para os homens, o que resulta numa média de 1.126 euros que multiplicados por 14 meses se traduzem em 15.264 euros anuais.

Com base nestas contas, seriam até mais do que 26 vezes.

Contudo, no dia 14 de abril de 2023, o jornal “Expresso” noticiou que os “CEO do PSI ganham 36 vezes mais do que os trabalhadores”. A remuneração média bruta anual dos trabalhadores “foi calculada a partir da ponderação entre os custos com pessoal e o número de trabalhadores de cada empresa cotada” e estes mesmos cálculos revelavam que João Pereira Bento ganhava, de facto, 26 vezes mais do que os seus trabalhadores.

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Avaliação do Polígrafo:

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