É uma publicação de 2016 mas continua a espalhar-se nas redes sociais, verificando-se um novo pico de partilhas nas últimas semanas. "Presidente do Lena confessa subornos a Sócrates", destaca-se no título da suposta notícia difundida pela página "Tuga Press".

"Num depoimento prestado no DCIAP, no âmbito do processo Marquês, o empresário contou tudo: havia mesmo subornos para José Sócrates; o objetivo do grupo de Leiria, ao pagar comissões ao então primeiro-ministro, era abrir portas e novos mercados. Angola, Venezuela e Argélia eram a prioridade. Sócrates aceitou receber, já depois de sair do Governo, um falso vencimento de uma empresa de Lalanda de Castro que, afinal, era pago pelo grupo de Joaquim Barroca", indica-se no respetivo texto.

"Joaquim Paulo da Conceição diz mesmo que tudo começou em 2006, um ano depois de Sócrates assumir o cargo de primeiro-ministro. 'O Grupo Lena desenvolveu contactos, através de Carlos Santos Silva, de forma a procurar obter o apoio do poder político', diz o líder do grupo que vai mais longe: 'O apoio fazia-se através de José Sócrates e eram realizados pagamentos para este último'. (…) Joaquim Barroca, vice do Lena, sempre soube de tudo. E quando abriu uma conta na Suíça, que acabou por ser usada por Santos Silva, fê-lo exatamente para isso: para fazer chegar dinheiro a Sócrates", acrescenta-se.

Vários utilizadores do Facebook depararam com esta publicação e denunciaram-na como sendo fake news. Confirma-se? Verificação de factos.

A publicação em causa indica como fonte uma notícia do jornal "Correio da Manhã", a qual já não está disponível online. O problema é que essa notícia foi corrigida na altura, tratando-se de um lapso assumido pelo jornal. Cerca de três anos mais tarde, porém, a página "Tuga Press" não corrigiu a publicação em que copiou a notícia errada e continua a reproduzir desinformação.

No dia 18 de setembro de 2016, o jornal "Correio da Manhã" corrigiu a manchete de sexta-feira, dia 16 de setembro de 2016, na qual noticiava que o presidente do Grupo Lena confessou que tinham sido pagas comissões ao ex-primeiro-ministro José Sócrates. O jornal explicou que devido a um "lamentável lapso", a declaração foi "erroneamente atribuída" ao presidente do Grupo Lena, Joaquim Paulo Conceição, atribuindo-as agora ao procurador do Ministério Público, Rosário Teixeira. O que faz com que a notícia da suposta confissão de suborno esteja errada.

O texto de retificação, intitulado como "O 'Correio da Manhã' e o Grupo Lena", o jornal indica que "devido a um lamentável lapso foi erroneamente atribuída ao presidente do Grupo Lena, Joaquim Paulo Conceição, a afirmação de que ‘o grupo Lena procurou apoio do poder político através de Sócrates, a quem pagava'". Assumindo o erro, o jornal "pede desculpa a Joaquim Paulo Conceição e aos leitores".

Aliás, logo no dia 16 de setembro de 2016, o presidente executivo do Grupo Lena, Joaquim Paulo da Conceição, negou "total e categoricamente" que, no âmbito do processo da "Operação Marquês", reconheceu ter feito pagamentos ao ex-primeiro-ministro José Sócrates para conseguir negócios para as suas empresas.

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Nota editorial: este conteúdo  foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam naquela rede social.

Na escala de avaliação do Facebook este conteúdo é:

Falso: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações "falso" ou "maioritariamente falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo este conteúdo é:

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