Começando pela questão dos combustíveis, de facto, num relatório da BA&N Research Unit indica-se que o peso do gasto com combustíveis no orçamento das famílias portuguesas representa 8% do rendimento líquido.

No entanto, o Polígrafo pediu mais informação ao Instituto Nacional de Estatística (INE) que, em resposta, explica que "se em 'combustíveis' considerarmos apenas a gasolina, o gasóleo e o GPL (utilizados nos veículos para transporte pessoal), o seu ponderador (peso) no Índice de Preços no Consumidor (IPC) é de 4,07%, em 2022".

O INE sublinha que "em janeiro de 2022, os preços destes produtos aumentaram 17,40% face a igual mês de 2021 e subiram 3,10% face ao mês anterior". Mas ressalva, porém, que "a referência 'combustíveis' pode ter uma interpretação mais genérica, abarcando outros produtos energéticos".

"O agregado Produtos energéticos do IPC 2022 tem um ponderador de 8,2% e é composto pelas seguintes categorias da Classificação do Consumo Individual por Objetivo: eletricidade (2,81%); gás (1,03%); combustíveis líquidos como, por exemplo, gasóleo de aquecimento (0,14%); combustíveis sólidos como, por exemplo, lenha (0,05%); combustíveis e lubrificantes para equipamento para transporte pessoal como, por exemplo, gasóleo rodoviário (4,15%)", clarifica.

No mesmo plano, o INE informa que "em janeiro de 2022, os preços deste agregado de Produtos energéticos aumentaram 12,15% face a igual mês de 2021 e 2,80% face ao mês anterior".

  • Preços de eletricidade e combustíveis em Portugal sobressaem entre os mais altos da Europa?

    Uma publicação divulgada na última quarta-feira, 9 de fevereiro, alertava para o facto de Portugal praticar "elevados preços" ao nível da energia e dos combustíveis. Para sustentar a alegação, foram adicionados dois gráficos representativos dos valores portugueses comparativamente à média europeia, um deles com a respetiva fonte. O Polígrafo verifica se os números estão corretos e atuais.

Já no que diz respeito ao aumento dos preços dos alimentos, a percentagem apresentada na publicação (10%) está longe da realidade. Segundo os dados que o INE cedeu ao Polígrafo, "em janeiro de 2022, a categoria de produtos bens alimentares e bebidas não alcoólicas teve um aumento de 3,71% face ao mesmo mês do ano anterior e uma subida de 1,31% face ao mês anterior".

"No Índice de Preços no Consumidor (IPC), o ponderador (peso) da classe dos bens alimentares e bebidas não alcoólicas é de 21,95%, em 2022", acrescenta a mesma fonte.

Quanto aos salários e pensões, não se confirma que os mesmos tenham aumentado apenas 0,9% no geral. Contactado pelo Polígrafo, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSS) destaca que, em 2022, "o Governo aumentou o salário mínimo de 665 euros para 705 euros mensais, um aumento de mais 6%, que é o maior aumento em valor absoluto de sempre (mais 40 euros mensais)".

A mesma fonte indica que, segundo o INE, "os salários médios aumentaram 3,4% em 2021", ressalvando que "apenas o salário mínimo é determinado pelo Governo".

Quanto às pensões de reforma, o MTSS esclarece que "a atualização regular das pensões resulta do regime legal e tem por base a inflação do ano anterior", sendo que "em 2022, a atualização regular das pensões foi de mais 1% para pensões de montante igual ou inferior a 2 IAS, de mais 0,49% para pensões de montante entre 2 a 6 IAS, e de mais 0,24% para pensões de montante superior a 6 IAS".

"Para além da atualização regular, que foi feita em janeiro, o Orçamento do Estado para 2022 irá continuar a fazer um aumento extraordinário em 10 euros por mês das pensões mais baixas com retroativos a janeiro", garante o MTSS.

Em suma, as percentagens indicadas no post não estão corretas.

___________________________________

Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

Assine a Pinóquio

Fique a par dos nossos fact checks mais lidos com a newsletter semanal do Polígrafo.
Subscrever

Receba os nossos alertas

Subscreva as notificações do Polígrafo e receba os nossos fact checks no momento!

Em nome da verdade

Siga o Polígrafo nas redes sociais. Pesquise #jornalpoligrafo para encontrar as nossas publicações.
Falso
International Fact-Checking Network