"Viva o socialismo", comenta o autor da publicação, datada de 21 de julho. Na imagem surge uma tabela dos preços da eletricidade nos países europeus ("El precio de la luz en Europa", indica-se no título, em língua castelhana), com destaque evidente para Portugal e Espanha, no topo, ambos com o valor mais elevado de 106 euros por megawatt-hora (MWh).

Seguem-se a Itália com 103 euros por MWh, a França com 91 euros por MWh, a Alemanha com 89 euros por MWh, os Países Baixos também com 89 euros por MWh e a Bélgica com 88 euros por MWh. Na coluna da direita indicam-se os respetivos salários médios de cada país e as posições dos mesmos praticamente invertem-se: Portugal tem o salário médio mais baixo, 997 euros por mês, ao passo que a Espanha também está no fundo da tabela com 1.658 euros por mês, ainda assim mais do dobro em comparação com o país vizinho.

Na imagem indica-se como fonte o portal EnergyLive, uma base de dados dos mercados europeus de eletricidade. Consultando os dados mais recentes nesse portal, contudo, verifica-se que a tabela da publicação está desatualizada.

Os preços médios da eletricidade em Portugal e Espanha, referentes ao dia 26 de julho de 2021, cifram-se em 99,52 euros por MWh, um valor significativamente inferior ao indicado na publicação: 106 euros por MWh.

Mais relevante, não são os mais caros da Europa, ou pelo menos entre os países europeus analisados no referido portal. Os mais caros são os da Itália (105,85 euros por MWh), Hungria e Roménia (ambos com 102,89 euros por MWh. Mesmo a Eslovénia e a Croácia (ambos com 99,98 euros por MWh) apresentam preços mais elevados do que os dois países da Península Ibérica.

No que concerne a Portugal e Espanha, os dados do portal EnergyLive são recolhidos a partir da página da OMIE (pode consultar aqui), o operador de mercado elétrico designado para a gestão do mercado diário e intradiário de eletricidade na Península Ibérica. Confirma-se que o valor referente ao dia 26 de julho de 2021 está correto: 99,52 euros por MWh, tanto em Portugal como em Espanha.

Por outro lado, na página do Eurostat, gabinete de estatísticas da União Europeia, encontramos dados de mais países europeus relativamente aos preços médios da eletricidade (com taxas e impostos) para os consumidores domésticos na segunda metade de 2020 (pode consultar aqui).

O preço registado em Portugal (0,2133 euros por kWh) é o oitavo mais elevado, praticamente ao nível da média da União Europeia (0,2134 euros por kWh), enquanto o de Espanha é o quinto mais elevado.

No segmento de consumidores não domésticos observaram-se preços médios superiores em Espanha (0,1215), na Zona Euro (0,1365) e na média dos países da União Europeia (0,1284), cerca de 1,5%, 14% e 7% acima dos de Portugal (0,1197), respetivamente. No semestre em análise, Portugal registou uma descida dos preços de eletricidade nos segmentos doméstico (-2,1%) e não-doméstico (-5,4%) face ao semestre homólogo de 2019, sendo a descida mais acentuada nos preços médios de eletricidade do segmento não doméstico, informou a Agência Lusa, a 26 de abril de 2021.

Portugal tem a terceira componente de taxas e impostos mais elevada da Europa, essencialmente devido aos designados Custos de Interesse Económico Geral (CIEG), "que resultam de opções de política energética e que representam 28% do preço final", sublinhou a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), citada pela Agência Lusa.

Em suma, além de apresentar dados desatualizados, a tabela da publicação destaca somente alguns países europeus, não todos. Pelo que a ideia sugerida de que os preços da eletricidade em Portugal e Espanha se destacam atualmente como os mais caros da Europa é falsaenganadora.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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