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Preço do pão de água aumentou no Continente duas semanas antes da aplicação do “IVA zero”?

Sociedade
O que está em causa?
Assim que o Governo anunciou a isenção de IVA num cabaz de 46 produtos alimentares surgiu uma vaga de publicações nas redes sociais com denúncias de subidas de preços ou comparações entre diferentes supermercados. Num dos casos indicados ao Polígrafo para verificação alega-se que o preço de um saco de cinco unidades de pão de água terá aumentado nos supermercados Continente entre os dias 29 e 30 de março, quando os consumidores já andavam a vigiar as flutuações dos preços na antecâmara da aplicação do "IVA zero". Esta denúncia tem fundamento?

A entrada em vigor da isenção do IVA nos produtos essenciais desencadeou um olhar mais atento dos consumidores aos preços dos vários bens que integram o cabaz listado pelo Governo. Antes mesmo da sua aplicação, as variações dos preços motivaram denúncias nas redes sociais. Caso disso é o pão de água que passou a custar mais dois cêntimos por cada unidade.

“Bom dia, não costumo publicar muita coisa aqui, mas isto é o tipo de coisas que me indigna. De ontem para hoje [29 para 30 de março], o pão no Modelo Continente subiu 2 cêntimos por cada pão de água, como podem comprovar pela fotografia, quando o IVA supostamente deveria ser 0% cobram 4%. Questionei no Modelo o porquê do aumento do pão quando o IVA deveria ser 0% e baixar. O que me foi dito é que essa lei só se aplica a partir de dia 1 de abril, ou seja, grave, muito grave, pois subiram e quando no dia 1 o IVA for a zero fica ao mesmo preço”, denuncia-se em publicação de 30 de março no Facebook, indicada ao Polígrafo com pedido de verificação de factos.

Estão a enganar as pessoas. Vergonhoso, por isso estas empresas ganham milhões e se repararem, quando forem ao Modelo, o atum só tem IVA zero o mais caro, o da marca Continente nada. Fica aqui o meu desabafo”, conclui o autor do texto.

A acompanhar a denúncia exibem-se duas imagens: a primeira mostra um saco de cinco unidades de pão de água, supostamente adquirido numa loja Continente a 29 de março, pelo preço de 1,10€ (0,22 cêntimos por cada pão); a segunda mostra também um saco de cinco unidades de pão de água, adquirido numa loja Continente a 30 de março, pelo preço de 1,20€ (0,24 cêntimos por cada pão).

Esta denúncia tem fundamento?

Importa começar por ressalvar que a isenção de IVA (ou seja, taxa de 0%) num cabaz de 46 produtos alimentares essenciais (determinado pelo Governo) só entrou em vigor no dia 18 de abril, cerca de duas semanas após o caso descrito na publicação.

Questionada pelo Polígrafo sobre esta situação, fonte oficial da cadeia de supermercados Modelo Continente justifica que “as oscilações de preços dos artigos à venda nas lojas dependem de vários fatores como a procura do mercado, os custos de produção e respetivas variações ao longo de toda a cadeia alimentar até à distribuição”.

“Esta oscilação – ascendente ou descendente – é naturalmente refletida no preço final de venda, com ou sem imposto de valor acrescentado”, sublinha.

Mais especificamente sobre o pão em causa, indica que “é produzido nos Açores, as flutuações de preço são reflexo do mercado, nomeadamente dos custos de produção“.

De 1,29 euros para 1,44 euros, com 10 dias de diferença. Em publicação no Facebook mostram-se duas faturas com a indicação dos preços de venda do referido produto - "Iced Tea Manga" de marca Continente -, a primeira numa loja Continente e a segunda numa loja Meu Super (do mesmo grupo empresarial). Respondendo a pedidos de leitores, o Polígrafo verifica.

“A Modelo Continente procura constantemente encontrar as melhores soluções, pelo que nos últimos anos, e para fazer face aos aumentos sucessivos dos preços, tem vindo a procurar mercados alternativos para determinados produtos, assim como a reduzir a sua margem bruta. Iremos continuar a criar soluções de poupança, em articulação com os nossos parceiros, por forma a ir ao encontro das necessidades das famílias”, conclui.

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Avaliação do Polígrafo:

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