"Será que a culpa é também do Zé Albino? Carregar um carro elétrico já aumentou 16% desde outubro de 2021. A culpa não é dos impostos xuxalistas, a culpa é do Zé Albino", lê-se no post de 24 de janeiro de 2022, denunciado no Facebook como sendo difusor de informação falsa ou enganadora.

Será?

O aumento de 16% referido na publicação terá como base uma notícia mais recente do jornal "Eco", datada de 24 de janeiro de 2022, com o seguinte título: "Galp aumenta em 16% preço da eletricidade para carregar carros elétricos."

"Depois de logo a 1 de janeiro terem visto os preços da eletricidade que usam para carregar a bateria do carro aumentar 9,8% (nas horas de vazio, quando o consumo é mais barato) e 7,5% (nas horas fora de vazio), a meio do mês, os clientes da Galp para a mobilidade elétrica foram surpreendidos com um novo aviso de atualização das tarifas que entrará em vigor já a partir de 1 de fevereiro", informou o jornal. Mediante esse segundo aumento, um cliente que tenha aderido à Galp Electric em outubro de 2021 vai começar a pagar mais 16% na eletricidade para carregar o automóvel nas horas de vazio e mais 12,4% nas horas fora do vazio.

A Galp, em reposta ao "Eco", justificou os aumentos para "refletir o apoio financeiro concedido" aos consumidores "pelo Fundo Ambiental sobre a tarifa da EGME, bem como a atualização das tarifas de acesso às redes".

Também questionada pelo jornal, fonte do MAAC defendeu que nenhuma das razões apresentadas "tem qualquer influência sobre o preço da eletricidade que é cobrado pelos Comercializadores de Eletricidade para a Mobilidade Elétrica (CEME)".

Mas se é verdade que os clientes da Galp Electric viram os preços a subir, já não é possível extrapolar para o restante universo de utilizadores, como a publicação pode dar erroneamente a entender. Está tudo explicado no site da Deco Proteste, onde se informa que, no final de 2021, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) divulgou as novas tarifas da Entidade Gestora da Mobilidade Elétrica (EGME), a Mobi.e, a aplicar em 2022. "Foi decidido subir a taxa aplicada aos Comercializadores de Eletricidade para a Mobilidade Elétrica (CEME) e aos operadores de pontos de carregamento (OPC) em 79%: a tarifa passou de 0,1657 para 0,2964 cêntimos por carregamento", destaca-se.

No entanto, este aumento foi anulado pelo Ministério do Ambiente e da Ação Climática (MAAC) que decidiu no final de 2021, através do Despacho n.º 12854-H/2021, que o Fundo Ambiental iria "financiar os utilizadores de carros elétricos, compensando-os pelo aumento das tarifas determinado pela ERSE. Com este apoio, os utilizadores finais pagarão o mesmo do que em 2021". Tal como explica a Deco Proteste, esta compensação é efetuada através de um desconto nas faturas dos utilizadores de automóveis elétricos, pago pelo Fundo Ambiental.

"Este é um apoio para um setor emergente, de reduzida dimensão, mas determinante para Portugal atingir os objetivos a que se vinculou. Assim, na atual conjuntura de incerteza na evolução da tarifa de energia no setor elétrico, importa manter alguma estabilidade nos preços de carregamento na rede de mobilidade elétrica nacional, através de um apoio aos utilizadores de veículos elétricos que ajude a promover a adoção deste tipo de veículos", anunciou o MAAC.

  • Baterias de carros elétricos descarregam depois de três horas no trânsito com o aquecimento ligado?

    Os carros elétricos são motivo de preocupação para os internautas desde que a sua utilização começou a ser mais frequente. O Polígrafo já verificou por várias vezes alegações relacionadas com este veículos, desde a produção das baterias até aos defeitos nelas encontrados. Mas será verdade que, em situação de engarrafamento e com o aquecimento ligado, as baterias descarregam ao fim de apenas três horas?

Em conclusão, é verdade que, pelo menos para os clientes da Galp Electric, o preço da eletricidade para carregar automóveis elétricos foi aumentado em 16% desde outubro de 2021 (nas horas de vazio), mas é importante referir, por que a  publicação sob análise não faz qualquer referência à empresa em causa, nem à diferença de preços nos carregamentos entre diferentes períodos do dia, que o mesmo aumento não se aplica à generalidade dos utilizadores.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Verdadeiro: as principais alegações do conteúdo são factualmente precisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Verdadeiro" ou "Maioritariamente Verdadeiro" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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