"Em Portugal, desde 23 de fevereiro, o preço do cabaz de bens alimentares essenciais já aumentou 12,38%", destaca-se num post de 12 de setembro do Facebook, apresentando também um gráfico com a evolução da inflação (por componentes) ao nível mundial desde o ano de 2010. Nesse gráfico é notório o início da trajetória de crescimento em 2021 e um pico em 2022 que continua a subir e a atingir patamares inéditos relativamente às últimas décadas.

Quanto ao preço do cabaz de bens alimentares essenciais, os dados são da Deco Proteste que, desde 23 de fevereiro, precisamente, tem monitorizado "os preços de um cabaz de 63 produtos alimentares essenciais que inclui bens como peru, frango, pescada, carapau, cebola, batata, cenoura, banana, maçã, laranja, arroz, esparguete, açúcar, fiambre, leite, queijo e manteiga. Começamos por calcular o preço médio por produto em todas as lojas online do nosso simulador em que se encontra disponível, e depois, somando o preço médio de todos os produtos, obtemos o custo do cabaz para um determinado dia".

No dia 9 de setembro, a Deco Proteste informou que "um cabaz de bens alimentares essenciais custa esta semana 206,35 euros, uma ligeira quebra (menos 0,02%) face aos 206,39 euros que custava há apenas uma semana (31 de agosto), mas mais 12,38% do que custava a 23 de fevereiro, véspera da explosão do conflito armado na Ucrânia. Os aumentos têm-se feito sentir em todas as categorias alimentares, mas são, sobretudo, a carne e o peixe que mais têm visto os seus preços subir".

"Entre 23 de fevereiro e 7 de setembro, o preço da carne já registou um aumento de 17,46% (mais 5,63 euros). Fazendo as contas a apenas um quilo de lombo de porco, de frango, de febras de porco, de costeletas do lombo de porco, de bifes de peru, de carne de novilho para cozer e de perna de peru, o gasto pode agora ser, em média, de 37,87 euros. O peixe, por sua vez, aumentou 14,05% (mais 8,47 euros) no mesmo período. Para comprar apenas um quilo de salmão, de pescada, de carapau, de peixe-espada-preto, de robalo, de dourada, de perca e de bacalhau, o consumidor pode agora ter de gastar, em média, 68,78 euros", especifica-se no mesmo artigo.

"Esta análise tem revelado aumentos quase todas as semanas, com alguns produtos a registarem subidas de preços de dois dígitos de uma semana para a outra", realça a Deco Proteste. "Na última semana, entre 31 de agosto e 7 de setembro, os 10 produtos com maiores subidas de preço foram as ervilhas ultracongeladas (mais 19%), a curgete (mais 13%), os cereais integrais (mais 12%), o café torrado moído (mais 9%), o iogurte líquido de morango (mais 8%), os douradinhos de peixe (mais 7%), a cebola (mais 7%), a massa espirais (mais 6%), a alface frisada (mais 6%) e o pão de forma sem côdea (mais 5%)".

Entretanto, no dia 12 de setembro, o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou os últimos dados referentes ao Índice de Preços no Consumidor (IPC), salientando que "a variação homóloga do IPC foi 8,9% em agosto de 2022, taxa inferior em 0,2 pontos percentuais (p.p.) à observada no mês anterior. O indicador de inflação subjacente (índice total excluindo produtos alimentares não transformados e energéticos) manteve a tendência de subida dos meses anteriores, registando uma variação de 6,5% (6,2% em julho). A variação do índice relativo aos produtos energéticos situou-se em 24,0% (7,2 p.p. inferior ao valor do mês precedente), enquanto o índice referente aos produtos alimentares não transformados apresentou uma variação de 15,4% (13,2% em julho). A variação mensal do IPC foi -0,3% (nula no mês precedente e -0,2% em agosto de 2021). A variação média dos últimos 12 meses foi 5,3% (4,7% em julho)".

Por sua vez, também de acordo com o INE, "o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) português apresentou uma variação homóloga de 9,3%, inferior em 0,1 p.p. à do mês anterior e superior em 0,2 p.p. ao valor estimado pelo Eurostat para a área do Euro (em julho, esta diferença tinha sido de 0,5 p.p.). Excluindo produtos alimentares não transformados e energéticos, o IHPC em Portugal atingiu uma variação homóloga de 7,3% em agosto (6,9% em julho), superior à taxa correspondente para a área do Euro (estimada em 5,5%), mantendo o perfil ascendente verificado nos últimos meses. O IHPC registou uma variação mensal de -0,2% (nula no mês anterior e -0,1% em agosto de 2021) e uma variação média dos últimos 12 meses de 5,4% (4,8% no mês precedente)".

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