“Portugal torna-se no primeiro país a fechar uma central elétrica de carvão, mas depois compra-se eletricidade a países estrangeiros que produzem a eletricidade em centrais alimentadas a carvão. Vamos rir. Os cerca de 150 trabalhadores da central Termoelétrica enfrentam agora o desemprego. Há dois meses que as rescisões de contratos começaram a ser negociadas”, refere uma publicação partilhada a 22 de novembro no Facebook.

O post surge no âmbito do encerramento da Central do Pego, em Abrantes, no dia 20 de novembro, depois de 28 anos em funcionamento. Já em janeiro deste ano, a Central Termoelétrica da EDP em Sines tinha sido o primeiro passo para o fim da produção de energia a carvão no país.

Com o fim desta atividade, Portugal passa a depender da importação de eletricidade de outros países?

Em certa medida sim, Portugal terá de recorrer à importação de energia de outros países como Espanha e França que, para já, continuam a produzir eletricidade a partir do carvão e são países de interligação energética com Portugal.

Contactado pelo Polígrafo, Francisco Ferreira, presidente da associação ambientalista ZERO e professor na área do ambiente na Universidade Nova de Lisboa, explica que “a percentagem de carvão dessa eletricidade importada será muito pequena, porque tanto Espanha como França têm uma percentagem mínima de uso de carvão. Até porque a eletricidade de França é maioritariamente nuclear”.

Francisco Ferreira esclarece ainda que a importação de eletricidade que é feita tem custos muito reduzidos pelo que “se o custo for mais pequeno do que estar a produzir, compensa comprar”.

Apesar disso, em Portugal recorre-se maioritariamente a fontes de energia renováveis para a produção de eletricidade. De acordo com os dados publicados pela Associação de Energias Renováveis (APREN) de janeiro a outubro deste ano, 65,2% da eletricidade produzida em Portugal foi de origem renovável. Os dados da APREN indicam que apenas 1,56% da energia utilizada foi produzida através do carvão.

A APREN divulga também no Boletim de Energia Renovável que, no primeiro trimestre de 2021, Portugal foi o segundo país com maior incorporação renovável na produção de eletricidade. Em primeiro lugar ficou a Noruega com 99,6% da sua eletricidade a partir de fontes de energia renováveis.

Além disso, o fecho da atividade na Central do Pego determina a sua reconversão num novo projeto que visa desenvolver as energias renováveis. Foi neste sentido que, em julho deste ano, o Governo anunciou um concurso público para a reconversão da central. “Atendendo à necessidade de assegurar uma transição justa, salvaguardar os postos de trabalho e de desenvolver um projeto em linha com as metas climáticas do País, o Ministério do Ambiente e da Ação Climática irá lançar, em setembro, um procedimento concursal com vista à atribuição do ponto de injeção na Rede Elétrica de Serviço Público (RESP) atualmente ocupado pela Central Termoelétrica a carvão do Pego”, refere-se no comunicado.

Cerca de 150 trabalhadores da Central enfrentam agora o desemprego?

Com o fim deste ciclo de produção, cerca de 150 trabalhadores ficaram num futuro incerto. No entanto, para assegurar a criação de novos investimentos e futuros postos de trabalho na região, o ministro do Ambiente garantiu no final do mês de novembro que o Estado irá disponibilizar um apoio aos trabalhadores afetados de forma a garantir que mantenham os seus rendimentos enquanto não encontrarem trabalho.

Além disso, o apoio de até três milhões de euros irá incluir ações de formação profissional e de apoio ao emprego. De acordo com João Pedro Matos Fernandes, esta medida irá abranger os 60 a 70 trabalhadores que receberão cartas de despedimento e também os trabalhadores de empresas prestadoras de serviços que colaboravam diretamente com a central de carvão. Ao Expresso, Matos Fernandes anunciou também que “há uma empresa que quer contratar 100 trabalhadores formados até ao verão de 2022”, referindo-se a uma empresa interessada em investir na região de Abrantes.

De acordo com a Lusa, o Governo anunciou que irá apoiar as empresas que queiram investir no Médio Tejo, empregando trabalhadores da região, especialmente os afetados pelo encerramento da unidade a carvão da Central do Pego.

Em suma, com o fecho da Central Termoelétrica do Pego, Portugal tornou-se no quarto país da União Europeia a não produzir eletricidade a partir do carvão. Poderá, por isso, ter de recorrer à importação da energia de outros países mas, paralelamente, o concurso público que o Governo lançou procura apoiar um “projeto exclusivamente focado na produção de energia de fontes renováveis”. Relativamente ao futuro dos trabalhadores da Central, ainda que incerto, foi disponibilizado um apoio aos trabalhadores afetados e o Governo está a promover medidas para impulsionar os investimentos no Médio Tejo.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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