"Acorda povo! Portugal teve este ano a segunda pior campanha de cereais de Inverno dos últimos 105 anos. O povo amarga e a ministra [da Agricultura e da Alimentação, Maria do Céu Antunes, figura na imagem] ri-se... Acorda povo", lê-se num post de 19 de agosto no Facebook, enviado ao Polígrafo com pedido de verificação de factos.

De facto, no dia 18 de agosto de 2022, o Instituto Nacional de Estatística (INE) publicou o mais recente boletim de "Previsões Agrícolas" (pode consultar aqui), realçando desde logo no título que a "seca contribuiu para a segunda pior campanha de cereais de inverno dos últimos 105 anos".

"As previsões agrícolas, em 31 de julho, apontam para uma campanha cerealífera fortemente marcada pela seca severa a extrema que acompanhou grande parte do ciclo vegetativo dos cereais de Inverno. A atual campanha deverá ser a segunda pior desde que existem registos sistemáticos, apenas superior à produção de 2012 e próxima da de 2005 (igualmente anos de secas extremas)", informa o INE no documento.

"A batata também foi afetada pela seca e pelas temperaturas muito elevadas que inibiram a tuberização, verificando-se decréscimos de produtividade, bem como dificuldades de comercialização. Em contrapartida, apesar da escalada dos preços dos meios de produção e da escassez de água de rega que, em muitos regadios privados, tem condicionado a frequência e dotação de rega, o cenário nas culturas de Primavera não é tão negativo, prevendo-se um aumento de 5% da área de milho e a manutenção da produtividade no arroz e tomate para a indústria, face ao ano anterior", acrescenta.

De resto, "a onda de calor, cujo pico ocorreu no período de 7 a 17 de julho, causou escaldões nas fruteiras, principalmente nas macieiras e pereiras, e também na vinha, culturas onde se prevêem quebras de produtividade de, respetivamente, 15%, 30% e 10%, face à campanha anterior. Nas prunóideas a produção colhida deverá ser inferior em 25% no pêssego, enquanto para a amêndoa, consequência da entrada em produção de novas plantações, estima-se uma produção próxima da alcançada em 2021".

Mais especificamente quanto à "colheita dos cereais de Outono/Inverno", o INE reporta que "ficou concluída no final de julho, apesar das restrições impostas à utilização de máquinas agrícolas, declaradas durante a situação de alerta e posteriormente de contingência, devido ao elevado risco de incêndio verificado entre 8 e 21 de julho. A campanha cerealífera foi marcada pela situação de seca durante a fase de desenvolvimento vegetativo, com muitas searas a apresentarem povoamentos pouco homogéneos e espigas curtas. Posteriormente, na fase de enchimento do grão, a escassa humidade dos solos e as elevadas temperaturas contribuíram também para as baixas produtividades, com as ceifas a confirmarem o baixo peso específico do grão. Embora existam searas com produtividades e qualidade aceitáveis, a maior parte das áreas colhidas apresentam quebras de produção na ordem dos 30% no trigo mole, triticale e cevada, 25% na aveia e 15% no trigo duro e centeio".

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