Em comentário político na SIC Notícias, antes de ter avançado para a corrida à liderança do PS (precipitada pela demissão do primeiro-ministro António Costa e convocação de novas eleições legislativas), Pedro Nuno Santos declarou:

"O PSD e a Iniciativa Liberal não estão muito preocupados que os serviços públicos funcionem ou não, até porque, se dependesse deles, os serviços não seriam públicos. Quanto muito financiados pelo Estado, mas não seriam prestados pelo Estado. E, por isso, volto... É de facto muito relevante que todos nós tenhamos a noção de que a carga fiscal em Portugal está bem abaixo da média europeia. E quando nós olhamos - muitas vezes ouvimos que os portugueses e os jovens sofrem uma grande carga fiscal -, os países para onde os jovens portugueses emigram não são países que têm cargas fiscais inferiores à de Portugal. Os países para onde os jovens emigram são países que têm cargas fiscais mais altas. Isto apenas para dizer que a questão relevante não é a carga fiscal... São os salários, são as oportunidades de emprego."

Estas afirmações do ex-ministro e atual deputado do PS surgem em destaque num vídeo que está a ser partilhado viralmente no Facebook. E no que respeita especificamente à carga fiscal em comparação com os restantes países da União Europeia, o autor do vídeo acusa mesmo Pedro Nuno Santos de "mentir".

"Portanto malta, estão a queixar-se da carga fiscal? Emigrem! Lá fora os salários são melhores! Mas não se esqueçam que a carga fiscal também! Já para não falar que o Pedrito foi para a televisão mentir. Dizer que não temos uma das maiores cargas fiscais da Europa? Óbvio que temos", sublinha.

Afinal quem tem razão?

De acordo com os últimos dados do Eurostat, serviço de estatística da União Europeia, a carga fiscal (constituída pela soma dos impostos e das contribuições sociais líquidas em percentagem do PIB - Produto Interno Bruto) na União Europeia ascendeu a 41,2% em 2022.

Em Portugal, a carga fiscal fixou-se em 38% do PIB, abaixo da média da União Europeia, tal como disse Pedro Nuno Santos.

No topo da tabela destacam-se países como a França (48%), Bélgica (45,6%), Áustria (43,6%), Grécia (43,1%), Finlândia (43,1%), Itália (42,9%), Dinamarca (42,5%), Suécia (42,4%) ou Alemanha (42,1%).

De resto, alguns desses países com maior carga fiscal correspondem, de facto, aos principais países de destino dos jovens portugueses que emigraram nos últimos anos.

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