"Foram às urnas 4.261.209. Não votaram 6.530.281. Se adicionarmos os nulos e brancos (87.038) temos a bonita soma de 6.617.319 portugueses que não contaram para as presidenciais. Mas há qualquer coisa que não bate certa. Neste momento temos mais eleitores do que população residente", alega-se na publicação em causa.

"Inscritos nos cadernos eleitorais: 10.791.490. Eleitores: 10.857.196. População residente: 10.286.300", destaca-se.

Os números indicados estão corretos?

Começando pelo número de votantes nas eleições presidenciais de domingo e pelo número de eleitores inscritos, sim, confirma-se que estão corretos.

De acordo com os resultados oficiais, publicados na página da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (estando a contagem fechada em todas as freguesias do território nacional, restando apenas três consulados no estrangeiro por apurar), registam-se 4.261.209 votantes de um universo de 10.791.743 inscritos.

Quanto à população residente de Portugal, de acordo com os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), compilados na Pordata, em 2019 era de 10.286.300 habitantes. Ou seja, menos 505.443 habitantes do que o total de eleitores inscritos.

Aliás, esta diferença será ainda maior se considerarmos que apenas os cidadãos maiores de 18 anos de idade podem recensear-se como eleitores e exercer o direito de voto. De acordo com os mesmos dados do INE, em 2019, do total de 10.286.300 habitantes, 1.402.276 inseriam-se na faixa etária até aos 14 anos de idade.

Este fenómeno tem sido noticiado ao longo dos anos, sendo em grande parte resultante de emigrantes que se mantêm recenseados em Portugal.

Por exemplo, em março de 2017, a rádio TSF informou que "Portugal tem, pelos números oficiais, 8,5 milhões de pessoas em idade para votar e quase 9,4 milhões de eleitores. Parece confuso, mas a grande maioria são emigrantes que mantêm a morada em Portugal apesar de viverem no estrangeiro. Uma opção legal, mas que acaba por inflacionar a despesa do Estado com vereadores e membros das juntas de freguesia, mas também os financiamentos públicos às campanhas eleitorais, sobretudo no Interior onde a diferença entre população e eleitores é muito maior".

"Cruzando as estimativas da população fornecidas à TSF pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) com o recenseamento eleitoral em dezembro de 2016, que estará perto daquele que será usado nas autárquicas deste ano [2017], os resultados apontam para mais 850 mil eleitores (10%) que pessoas com 18 ou mais anos a viver em Portugal", salienta-se no mesmo artigo. "Há concelhos com mais 50% de eleitores do que população".

Além dos emigrantes, também se tem apontado para a subsistência de pessoas que já morreram nos cadernos eleitorais, ou "eleitores-fantasma", geradores de distorções e discrepâncias.

__________________________________________

Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Verdadeiro: as principais alegações do conteúdo são factualmente precisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Verdadeiro" ou "Maioritariamente Verdadeiro" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

Siga-nos na sua rede favorita.
Verdadeiro
International Fact-Checking Network