"É triste. Chacota sobre Portugal no Parlamento Europeu. Só há uma resposta a esta chacota alemã: é a justiça. Pôr na cadeia todos os corruptos e ladrões, sejam políticos, empresários ou banqueiros. Toda a gente sabe quem são e como se chamam. E obrigá-los a multas pesadíssimas para ajudarem a resolver os problemas bicudos do país". Assim se inicia a mensagem associada ao vídeo em causa.

Na reprodução, uma alegada eurodeputada discursa em língua germânica, num local que se assemelha a um parlamento. O discurso é frequentemente  interrompido por risos trocistas. O vídeo foi legendado em português: "Temos de ter calma na União Europeia durante esta fase, e em todas as decisões tomadas em diante e erradicar o mais possível a corrupção na política portuguesa… Como se isso fosse possível. Temos de dar subsídios àqueles políticos corruptos para que nos continuem a comprar Audis e Mercedes topo de gama".

Este conteúdo foi denunciado por utilizadores do Facebook como sendo falso ou enganador. O vídeo é autêntico?

Em primeiro lugar, as legendas das imagens não correspondem ao que está a ser dito. Além disso, a mulher que aparece no vídeo não é uma eurodeputada alemã, mas uma política suíça, Doris Leuthard, duas vezes eleita presidente da Confederação Suíça (em 2010 e 2017). No vídeo original no Youtube, embora as legendas sejam automáticas e, portanto, não tão fidedignas, é óbvio que o assunto não é Portugal.

nazi

Na verdade, o discurso de Doris Leuthard tem mais de nove anos e foi gravado no âmbito de uma resposta dada a um deputado do Partido Popular Suíço (SVP), Ernst Schibli, que perguntou à presidente porque é que as associações de cavalos cobravam 20 francos suíços por cavalo em testes de desempenho (cerca de 18 euros) e quanto é que isso custava ao governo por ano.

Leuthard, ao ler a resposta que os seus funcionários tinham preparado, não se conteve e acabou por se rir. "Isto é realmente absurdo. Pode ver a importância que dou a esse assunto neste momento", ironizou. Porém, acabou por responder ao deputado: "Custam 9.000 francos por ano. Agora não me pergunte quanto custou responder à sua iniciativa", concluiu.

O Polígrafo já tinha verificado este vídeo em artigo de outubro de 2019, mas perante uma nova vaga de partilhas nas redes sociais, com algumas variações nas mensagens associadas, voltamos a sinalizá-lo como fake news.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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