Em múltiplas publicações (1, 2, 3) no X/Twitter alega-se que Portugal está mais distante da média da União Europeia, ao nível do Produto Interno Bruto (PIB) per capita e medido em Paridades de Poder de Compra(PPC), do que no ano de 2000.
De acordo com uma das publicações, “em 2000, o PIB per capita de Portugal em paridades de poder de poder de compra situava-se em cerca de 85% da média da União Europeia”, mas em 2024 “situou-se em 82,4% da média da União Europeia”.
Noutro exemplo questiona-se sobre “como é possível o PIB per capita ter descido, em Portugal, entre 2000 e 2024, em relação à média europeia”, sublinhando que “estamos mais pobres agora do que há um quarto de século, no que diz respeito à média europeia”.
Também há quem interpele o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, no sentido de “explicar que o PIB per capita de Portugal está mais longe da média europeia do que em 2000″.
Estas alegações – quase similares, no essencial – têm fundamento?
De acordo com os dados compilados pelo Eurostat, no que concerne ao indicador do PIB per capita em PPC, o facto é que Portugal estava em 85,2% da média da União Europeia (na atual composição de 27 Estados-membros) no ano de 2000. Entretanto, no ano de 2025, fixou-se em 81,3% (valor ainda provisório) da média da União Europeia.
Porém, esta trajetória descendente (face à média europeia) não foi linear. Por exemplo, entre 2011 e 2022 permaneceu sempre abaixo de 80% e em 2023 registou uma das maiores subidas (de 77% para 81,1%) das últimas décadas.
Mais enganadora é a referência à média da União Europeia em 2000 com base em valores dos atuais 27 Estados-membros, quando nesse ano tinha apenas 15 Estados-membros.
Em bom rigor, no ano de 2000, ao nível do indicador do PIB per capita em PPC, o facto é que Portugal estava em 70% da média da União Europeia composta então por 15 países.
Outro elemento a ter em atenção nesta análise é que o agregado da União Europeia na atual composição de 27 Estados-membros não inclui, evidentemente, o Reino Unido, que deixou de fazer parte integrante da União Europeia em janeiro de 2020. Ou seja, aquela percentagem de 85,2% para o ano de 2000 não inclui os dados do Reino Unido que nessa altura era um dos 15 Estados-membros, mas por outro lado inclui os dados de outros 13 países que só entraram posteriormente na União Europeia.
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Avaliação do Polígrafo:




