Sem qualquer fonte, a tabela utilizada para sustentar as alegações coloca Portugal em último lugar no ranking de população entre os 25 e os 64 anos sem ensino secundário, no ano de 2019. "A ignorância favorece o socialismo", lê-se na parte inferior da imagem.

"Temos que quebrar este ciclo, do PS que nos emburrece e se mantém no poder graças a essa burrice. É urgente mudar o poder em Portugal e a impunidade , acabar com a abstenção, que é a atitude dos eleitores ignorantes.(...) Nos países mais ricos, mais evoluídos, mais letrados, menos corruptos, as pessoas votam massivamente contra a corrupção, aprenda a usar o voto para salvar o país", apela-se ainda na publicação em causa.

O Polígrafo consultou os mais recentes dados da base de dados Pordata relativos às percentagens de população sem o ensino secundário da população entre os 25 e os 64 anos, de forma a perceber que países na União Europeia (UE) têm maiores e menores percentagens de população sem o ensino secundário.

Embora os dados do ano de 2020 já estejam disponíveis, é a 2019 que se referem as percentagens apresentadas na tabela divulgada no Facebook. Assim, importa começar por dizer que os valores, embora próximos, divergem em algumas décimas relativamente aos da Pordata.

A título de exemplo, Portugal tinha, em 2019 e segundo a base de dados Pordata, 47,8% da população adulta sem ter completado o ensino secundário. Na tabela em causa, por sua vez, o valor aumenta para 48,3%. O mesmo sucede com a percentagem média da União Europeia, à data constituída por 28 países. Na Pordata, a UE28 tinha 21,6% de população sem ensino secundário em 2019. Na tabela (sem fonte), o valor desce para 21,4%, o que resulta num aumento do fosso entre os dois indicadores.

Embora seja relevante para análises de outro tipo, esta disparidade não afeta a posição de Portugal no ranking em causa. Em 2019, Portugal foi mesmo o país onde a percentagem de adultos que não terminaram o ensino secundário foi a maior da UE, com 47,8%. As posições seguintes foram ocupadas por Malta, Espanha, Itália e Grécia, onde as percentagens não desceram abaixo dos 20% (44,2%, 38,7%, 37,8% e 23,2%, respetivamente).

No topo da tabela, com percentagens recorde, estão a Lituânia, a República Checa, a Polónia, a Eslováquia e a Letónia, com apenas 5%, 6,2%, 7,4%, 8,6% e 8,8% de população sem o ensino secundário, respetivamente. De ressalvar, mais uma vez, que embora os valores não sejam rigorosos em alguns países, as posições apresentadas na tabela em causa não se alteram relativamente às da Pordata.

Assim, é verdade que, no ano de 2019, Portugal era o país da União Europeia com mais população adulta que não terminou o ensino secundário (47,8%), mais do dobro da média europeia (21,6%). Dados mais recentes, relativos a 2020, mostram que estes valores desceram, nomeadamente em Portugal, que atingiu os 44,6% nesse mesmo ano. Esta queda não foi, no entanto, suficiente para garantir ao país uma subida na tabela, que se manteve quase instável relativamente ao ano anterior.

Exceção para a Grécia, que saiu dos cinco últimos lugares para deixar entrar o Luxemburgo, com 21,5%. Já no que respeita aos países na vanguarda deste indicador, as posições mantêm-se com todos eles a conseguir baixar ainda mais estas percentagens: Lituânia (4,9%), República Checa (5,9%), Polónia (6,8%), Eslováquia (7,3%) e Letónia (8,3%).

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Verdadeiro: as principais alegações do conteúdo são factualmente precisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Verdadeiro" ou "Maioritariamente Verdadeiro" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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