"Portugal é o país da Europa Ocidental com os salários mais baixos. 14 mil euros é o rendimento líquido que, em média, um trabalhador solteiro sem filhos leva para casa no final de um ano de trabalho em Portugal. O empregador, por outro lado, tem de pagar 24 mil euros, porque 41% deste valor vai direto para o Estado, através de impostos sobre o trabalho e contribuições para a Segurança Social", descreve-se no texto que acompanha a tabela, em publicação de 14 de outubro nas páginas do movimento "+Liberdade".

"É a sétima carga fiscal sobre o trabalho mais elevada da Europa Ocidental, a par com a Finlândia, um país cujo rendimento líquido (após equiparar os custos de vida) é 60% superior ao português e gera 50% mais de riqueza por habitante", conclui-se.

Os dados da tabela estão corretos?

São dados do Eurostat, gabinete de estatísticas da União Europeia, mas os valores referentes ao rendimento líquido anual na Europa Ocidental foram "ajustados para o mesmo custo de vida (fixando os valores reais de Portugal), para um trabalhador solteiro sem filhos com salário igual à média nacional", tal como se ressalva em nota de rodapé na tabela.

O Polígrafo analisou os dados do Eurostat (mais especificamente aqui) e questionou fonte oficial do movimento "+Liberdade" sobre o método de cálculo do ajustamento ao custo de vida. Seguimos os mesmos passos e obtivemos números ligeiramente díspares, em alguns casos.

Ainda assim, é seguro concluir que o rendimento líquido em Portugal é o mais baixo (em média, sob determinados critérios) entre os países da Europa Ocidental. E o mesmo se aplica ao custo para o empregador.

Quanto à carga fiscal sobre o trabalho, a mesma fonte remete para o relatório "Taxing Wages 2021" (com dados referentes a 2020) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Neste caso, as percentagens estão todas rigorosamente exatas.

Para um solteiro sem filhos com 100% do rendimento médio (o mesmo critério utilizado para o rendimento líquido), Portugal apresenta uma carga fiscal sobre o trabalho de 41,3%. Entre os países da Europa Ocidental há percentagens mais elevadas, nomeadamente na Bélgica (52%) e na Alemanha (49%), mas a de Portugal não deixa de ser uma das mais elevadas.

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Avaliação do Polígrafo:

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