Nas primeiras horas depois da invasão de território da Ucrânia por forças militares da Rússia, António Costa falou ao país e garantiu que, no que respeita a possíveis efeitos na economia portuguesa e até no Orçamento do Estado para este ano, é ainda cedo para começar a fazer avaliações. A prioridade é "saber primeiro a duração desta guerra e ainda a resposta da Rússia às sanções que a União Europeia vai aplicar hoje", salientou o primeiro-ministro.

"Portugal é menos dependente do que outros Estados da energia da Rússia e esta é uma oportunidade para a União Europeia pensar em diversificar as fontes de energia e acelerar o processo de descarbonização e melhor utilização das energias renováveis", defendeu Costa, assegurando depois também que "o desafio de acolher refugiados e a sua inserção é um dever que nos implica a todos. Em todos os casos temos de ser solidários".

Ora, de facto, em Portugal, a taxa de dependência de petróleo bruto, gás natural e combustíveis sólidos rondou, em 2019, os 74%, sendo que no ano de 2000 era superior a 85%. Tal como informa este boletim do Eurostat, a União Europeia depende principalmente da Rússia para as importações dos três tipos de energia, sendo a Noruega o segundo principal fornecedor de petróleo bruto e gás natural.

Em 2020, e segundo esta infografia do Eurostat, o gás natural importado por Portugal tinha origem maioritária na Nigéria, seguida pelos Estados Unidos da América e só depois pela Rússia. O cenário é parecido para países como a Alemanha, a França e a Itália, onde a Rússia estava pelo menos nas três primeiras posições de fornecedores de gás natural em 2020.

Ainda assim, é um facto que em Portugal o gás proveniente da Rússia representava, em 2020, apenas cerca de 9,7% de todas as importações. Na verdade, quase 54% do gás natural importado por Portugal vem da Nigéria, o principal fornecedor do país também em 2019. Com apenas 19% do peso das importações portuguesas estão os EUA que são, como já referimos, seguidos pela Rússia, lado a lado com a Argélia.

De acordo com os dados estatísticos do Eurostat, em países como a França (17%), Países Baixos (26%), Turquia (34%), Grécia (38%), Lituânia (42%), Itália (43%), Roménia (45%), Estónia (46%), Liechtenstein (47%), Polónia (55%), Alemanha (66%), Finlândia (67%), Sérvia (69%), Bulgária (75%), Eslováquia (85%), Hungria (95%), República Checa (100%), Letónia (100%), Macedónia do Norte (100%) e Moldávia (100%) esta percentagem é bastante mais elevada, deixando Portugal entre os países que menos importam gás natural da Rússia.

Em suma, as palavras de António Costa têm sustentação factual. Entre os países da Europa, Portugal é efetivamente um dos menos dependentes da Rússia em matéria de energia, mas não deixa de importar grande parte dos recursos (74% em 2019) de outros países.

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