O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Portugal aceitou negociar o pagamento de indemnizações às antigas colónias? Governo desmente Chega

Política
O que está em causa?
Em 2024, Paulo Rangel afirmou que não haveria "qualquer processo ou programa de acções específicas com o propósito de reparar outros Estados pelo passado colonial português". Mas será que o Governo mudou de posição? É o que sugere uma publicação do Chega, baseada em declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros do Gana que o Executivo português contesta.
“Não aceitaremos tamanha traição à nossa memória. Não aceitamos que, num país onde já não há dinheiro para baixar os preços dos combustíveis ou para a saúde, haja mentes iluminadas a querer fazer reparações históricas por acontecimentos de há cinco séculos. Não aceitaremos!”. Esta “notícia” avançada pelo Chega, numa publicação partilhada nas redes sociais, está a gerar indignação. Mas o Governo português garante que não há razão para tal… uma vez que a ideia de que os portugueses vão pagar indemnizações às antigas colónias é “falsa”.

A existência de qualquer compromisso ou negociação por parte do Governo português relativamente ao pagamento de reparações não é confirmada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).  Ao Polígrafo, o MNE afirmou categoricamente que Portugal “não aceitou, não negociou e não assumiu qualquer compromisso relativo ao pagamento de quaisquer reparações ou indemnizações às antigas colónias”.

Questionada pelo Polígrafo, fonte oficial do Chega remeteu para um artigo de opinião da autoria de João Pedro Marques, publicado no jornal “Observador“, no qual o autor afirma que “Portugal está, pela calada, a contactar o Gana no sentido de concretizar as suas reivindicações sobre as reparações históricas da escravatura”. O artigo tem por base uma notícia da agência Reuters, que cita declarações do MNE daquele país africano.

De acordo com o responsável, Portugal manifestou apoio à campanha liderada pelo Gana para obter reparações pelo tráfico transatlântico de escravos, juntamente com o Reino Unido, apesar de ambos os países se terem abstido na votação da resolução da Organização das Nações Unidas em março, que declarou o tráfico de africanos escravizados e a escravização racializada de africanos como o “crime mais grave contra a humanidade” e defendeu reparações históricas, numa votação em que Portugal se absteve.

No entanto, não é esta a versão do Governo português, que diz manter a mesma posição desde 2024.  Num debate na Assembleia da República sobre esta matéria, promovido pelo Chega e realizado a 15 de maio daquele ano, Paulo Rangel afirmou que não haveria “qualquer processo ou programa de acções específicas com o propósito de reparar outros Estados pelo passado colonial português”.

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque