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Porta-chaves rastreáveis estão a ser distribuídos em postos de combustível em Portugal para possibilitar furtos?

Sociedade
O que está em causa?
O alerta tem vindo a ser difundido, nos últimos dias, via WhatsApp e outras redes sociais, alertando os cidadãos nacionais para uma nova modalidade de “golpe” que estará a tornar-se cada vez mais recorrente em Portugal. Mas será que a alegação tem qualquer tipo de fundamento?

“Esse chaveiro é distribuído gratuitamente em postos de gasolina e shopping centers por pessoas que fingem estar fazendo promoções”, lê-se numa publicação que está a ser partilhada viralmente na rede social Facebook. E foi enviada ao Polígrafo por um leitor que duvida da veracidade da alegação.

Segundo o mesmo post, dispositivos como os que podem ser vistos na imagem abaixo servem para “rastrear e seguir” aqueles que estão na sua posse, com vista a levar a cabo furtos, nomeadamente, em residências. Segundo a informação recolhida pelo Polígrafo, trata-se de uma afirmação que foi já reencaminhada por centenas de vezes via WhatsApp, apelando a à partilha “com familiares e amigos”.

Trata-se de uma narrativa com fundamento?

De facto, não há qualquer evidência – da parte das autoridades ou dos meios de comunicação social portugueses – que sustente que tais dispositivos estejam a ser distribuídos em postos de abastecimento e centros comerciais em Portugal, com vista a levar a cabo iniciativas criminosas.

Isto porque esse argumento é, na verdade, uma mera adaptação de um rumor que tem vindo a circular em vários países e idiomas – e, consequentemente, a ser desmentido por plataformas de fact-checking ao nível internacional (aqui, aqui e aqui) – desde, pelo menos, 2008.

Segundo a “Snopes”, a narrativa começou a desenvolver-se com a distribuição gratuita, por parte da marca de petróleo Caltex, de porta-chaves que continham um dispositivo intermitente, ativado pela luz, para destacar o nome da marca. Algo que se tratou, única e exclusivamente, de uma iniciativa de marketing desenvolvida em estações de serviço na África do Sul. Não tem, portanto, qualquer propósito criminoso.

Miranda Anthony, na altura porta-voz da empresa, sustentou essa tese, assegurando que estes porta-chaves que estavam a ser distribuídos nas estações de serviço não tinham qualquer tipo de dispositivo de localização, fazendo apenas parte de uma campanha de sensibilização para promover uma das marcas da Caltex, a “Power Diesel”. Nas palavras da mesma fonte, eram apenas “artigos inovadores” com “um dispositivo intermitente destinado a dar a conhecer o produto”.

Perante estes factos, concluímos que esta é uma narrativa que não tem qualquer tipo de fundamento.

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Avaliação do Polígrafo:

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