A fome afetou, em 2019, 690 milhões de pessoas em todo o mundo. Por outro lado, no mesmo ano, cerca de 931 milhões de toneladas de alimentos foram desperdiçadas. Num momento em que 193 milhões de pessoas se encontram em situação de insegurança alimentar aguda, a Organização das Nações Unidas (ONU) teme o não cumprimento da meta de acabar com a fome no mundo em 2030, enquanto revela não serem consumidos 17% dos alimentos produzidos no planeta.

Segundo o Índice de Desperdício de Alimentos 2021 publicado no Âmbito do Programa para o Meio Ambiente da ONU, 61% do desperdício alimentar gerado no mundo provém dos agregados familiares, 26% de serviços alimentares e 13% do retalho.

Se o desperdício alimentar fosse um país, “seria o terceiro maior emissor de gases de efeito estufa do planeta”, ficando apenas atrás da China e dos Estados Unidos da América.

Todos os anos, a Europa perde ou desperdiça cerca de 87,6 milhões de toneladas de alimentos, sendo que os portugueses contribuem para este número com um milhão de toneladas desperdiçadas.

Embora os impactos económicos e sociais do desperdício alimentar sejam evidentes, os seus efeitos no ambiente estão longe de serem nulos. As Nações Unidas sublinham que “8 a 10% das emissões globais de gases com efeito de estufa estão associadas a alimentos que não são consumidos”. Isto significa que se o desperdício alimentar fosse um país, “seria o terceiro maior emissor de gases de efeito estufa do planeta”, ficando apenas atrás da China e dos Estados Unidos da América.

Quando um alimento é deitado ao lixo, é como se os recursos naturais utilizados na sua produção (água, energia, quantidade de solo cultivado, etc.) fossem para o mesmo contentor. Basta pensar que os alimentos desperdiçados são responsáveis por 38% do uso total de energia no sistema alimentar global e que cerca de 30% da terra agrícola mundial está ocupada com a produção de alimentos que nunca vão chegar a ser consumidos.

“A redução do desperdício de alimentos não apenas evitaria a pressão sobre os recursos naturais escassos, mas também diminuiria a necessidade de aumentar a produção de alimentos em 60% para atender à procura da população em 2050”.

Em 2013, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura publicava o primeiro relatório em que se olhava para os impactos do desperdício alimentar do ponto de vista ambiental. O documento mostrava, por exemplo, que o desperdício de cereais na Ásia tem “grandes impactos em termos de carbono, água e terra arável”, que o desperdício de carne “gera um impacto substancial no meio ambiente em termos de ocupação do solo e pegada de carbono” e que o desperdício de vegetais na Ásia industrializada, Europa e Sul e Sudeste Asiático constitui “uma alta pegada de carbono, principalmente devido ao grande volume de resíduos”.

Por isso, concluía o relatório, “a redução do desperdício de alimentos não apenas evitaria a pressão sobre os recursos naturais escassos, mas também diminuiria a necessidade de aumentar a produção de alimentos em 60% para atender à procura da população em 2050”.

Em suma, além de ser verdade que o desperdício alimentar tem impacto no ambiente, reduzi-lo permitiria, tal como afirma Inger Andersen, diretora do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, “cortar as emissões de gases de efeito estufa, retardar a destruição da natureza para conversão das terras e da poluição, aumentar a disponibilidade de comida e, assim, reduzir a fome e economizar dinheiro num momento de recessão global".

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EMIFUND

Este artigo foi desenvolvido no âmbito do European Media and Information Fund, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e do European University Institute.

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