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Políticos portugueses têm uma “vidinha boa” em comparação com os alemães?

Política
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Uma tabela que circula nas redes sociais garante que a classe política nacional tem, em comparação com o que se passa na Alemanha, uma vida bem mais descansada. Entre outras coisas, revela que o Governo alemão tem apenas 9 membros, contra os 50 do Executivo português. Será mesmo assim?

Partilhada mais de 30 mil vezes, trata-se de uma tabela que pretende demonstrar “o que explica a diferença entre Portugal e a Alemanha”, desde logo a discrepância no número de governantes: 50 em Portugal, apenas nove na Alemanha. “Para manter a vidinha boa, é bem mais fácil taxar os reformados, os funcionários e tirar subsídios aos operários, fazer pagar medicamentos e taxas moderadoras, aumentar os impostos de toda a gente”, lê-se na mensagem que acompanha a referida tabela de diferenças (baseadas no suposto despesismo do Governo e da Presidência da República Portuguesa, em contraste com a suposta frugalidade das instituições homólogas da Alemanha) entre os dois países em causa.

tabela

O Polígrafo SIC analisou a composição do XXI Governo Constitucional de Portugal e concluiu que além do primeiro-ministro António Costa, existem 17 ministros e 44 secretários de Estado. Contas finais: 62 governantes (a tabela indica que são 50). E a Alemanha, confirma-se que tem apenas nove elementos? A resposta é negativa:  além da chanceler Angela Merkel e do vice-chanceler Olaf Scholz, o Governo Federal da Alemanha é constituído por 14 ministros e 35 secretários de Estado. Total: 51 governantes, bem acima do número que a tabela refere.

Também não é verdade que os contribuintes portugueses paguem aos governantes “água” e “eletricidade”. Quanto à alimentação, têm direito a subsídio de refeição (para despesa de almoço), como os demais trabalhadores portugueses por conta de outrem.

A tabela indica também que os ministros e os secretários de Estado do Governo português “têm alojamentos de funções”. Não é verdade. Mas podem ter direito a subsídio de alojamento, o qual é atribuído aos governantes a exercer funções em Lisboa e cuja residência se localize a mais de 150 quilómetros de distância. Os regulamentos estipulam que o valor desse subsídio não pode exceder 50% do valor das ajudas de custo estabelecidas para as remunerações-base superiores a um determinado nível remuneratório. Traduzindo: o subsídio diário é de 25 euros, cerca de 750 euros por mês.

Também não é verdade que os contribuintes portugueses paguem aos governantes “água” e “eletricidade”. Quanto à alimentação, têm direito a subsídio de refeição (para despesa de almoço), como os demais trabalhadores portugueses por conta de outrem. Por outro lado, é verdade que o primeiro-ministro tem uma residência oficial, tal como a chanceler do Governo da Alemanha (ao contrário do que a tabela indica). E é verdade que os governantes recebem “ajudas de custo”, “transportes” (isto é, viatura oficial) e “motoristas” (para a viatura oficial). Quanto às “cerca de 500 pessoas” que “trabalham para a Presidência da República”, é falso. Na verdade trabalham cerca de 250 pessoas no total.

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