O panfleto no centro da polémica tem circulado nas redes sociais e promove um "curso em cinco aulas por Zoom", sob o mote de "aprender a namorar". A formação tinha data de início marcada para o dia 15 de março. No anúncio é promovida - em nome do Instituto Politécnico de Viseu e da capelania da escola - como "um contributo para casamento feliz e duradoiro".

As críticas ao curso não demoraram a surgir, tanto pelo tema, como pelo facto de se tratar de uma escola pública, num Estado laico. Em diversas publicações nas redes sociais destacam-se comentários como: "Politécnico de Viseu a bater no fundo"; "da normal anormalidade"; "não sei o que é pior, o curso em si, o facto de ser um padre a dar o curso, ou o facto de ser uma instituição do ensino superior a promover".

Posto isto, a dúvida ganha consistência: será que o Instituto Politécnico de Viseu, através dos serviços de capelania, está mesmo a organizar uma formação online para ensinar os participantes "a namorar"? A resposta é sim.

O Polígrafo contactou o padre Geraldo Morujão, capelão do Instituto Politécnico de Viseu, o qual confirmou que o cartaz é autêntico e que o curso está, de facto, a decorrer.

Nas palavras do padre, o objetivo da formação consiste em "dar uma ideia do que é o casamento pela Igreja". As aulas são dadas pelo próprio, por outro padre e ainda "por casais recém-casados, que estão a falar da sua experiência de amor, e da sua experiência de casamento".

O sacerdote detalha também que o curso pretende passar ensinamentos para "uma vida que se possa aguentar, onde não haja violência, um matrimónio que seja baseado na fidelidade, na abertura à vida". Ou seja, "dar uma visão cristã, da Igreja Católica, em relação ao matrimónio".

Geraldo Morujão revelou ao Polígrafo que a ideia do curso foi do próprio e não de qualquer membro da presidência ou docente do Instituto Politécnico de Viseu.

É certo que o capelão já foi professor na escola em causa, mas atualmente não tem qualquer vínculo à instituição, à excepção das funções que desempenha, de forma voluntária, como capelão.

O Polígrafo contactou a presidência do Instituto Politécnico de Viseu, para obter uma reação da escola às várias questões levantadas em torno do curso. Porém, até ao momento, não chegou qualquer resposta à nossa redação.

Em conclusão, é verdade que o Instituto Politécnico de Viseu, através dos serviços de capelania, está a dinamizar uma formação online, facultativa, para "aprender a namorar". O curso está a ser dinamizado pelo capelão da escola e tem como objetivo "dar uma ideia do que é o casamento pela Igreja".

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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