“Ato público na frança.… policiais civis e militares se recusam cumprir ordens contra as liberdades individuais de ir e vir, onde quiser, de não usarem mascaras, de trabalhar, etc. Cada indivíduo se responsabiliza por si mesmo. A vida pertence a nós como diz o ditado…. Os incomodados que se mudem parabéns. Isso é verdadeiramente a democracia”, pode ler-se no texto que acompanha o vídeo.

As imagens, que transmitem a ideia de um protesto ou até de uma rebelião da polícia, têm sido partilhadas em várias publicações e já somam milhares de partilhas.

Mas o motivo da insatisfação dos agentes de autoridade franceses será mesmo as regras de combate à pandemia?

O Polígrafo realizou uma pesquisa sobre as imagens apresentadas e concluiu que não retratam um acontecimento atual, como as publicações nas redes sociais indiciam.

As imagens foram captadas no dia 12 de junho de 2020, em Paris. Nessa data, após dois dias de protestos em diversas cidades francesas, milhares de polícias marcharam pelas ruas e repetiram, como sinal de desagrado, aquilo que já tinham feito durante as manifestações: atirar para o chão as suas algemas e distintivos profissionais. É esse o momento captado pelas câmaras, depois difundido em todo o mundo.

Quanto à razão dos protestos, os polícias não expressavam qualquer discordância com as restrições de liberdade individual decorrentes da prevenção à Covid-19. Manifestavam, antes, o repúdio pelo então ministro francês do Interior, Christophe Castaner, por este estigmatizar a polícia e estar a limitar o campo de ação dos agentes da autoridade.

As declarações do ministro francês seguiram-se às ondas de choque provocadas pelo caso da morte de George Floyd, às mãos da polícia norte-americana, a 25 de maio de 2020. Christophe Castaner passou então a ideia de abuso policial num caso ocorrido no país e, a 8 de junho, em conferência de imprensa, anunciou a proibição de técnicas de imobilização que passem pelo estrangulamento e proferiu esta declaração polémica: “Tolerância zero com o racismo” na polícia francesa.

  • Homicídio de George Floyd nos EUA foi "uma encenação" orquestrada com a polícia e os "media"?

    Em publicação nas redes sociais denuncia-se que o homicídio de George Floyd em Minneapolis, EUA, "é mais um ataque de bandeira falso", ou "uma encenação" que envolve o agente da polícia agressor, Derek Chauvin, os paramédicos da ambulância, os "media", etc. "O vídeo do assassinato prova que eles eram apenas atores e fizeram um papel muito mal representado", alega-se. Verdade ou mentira?

É, então, falso que a polícia francesa se esteja a recusar a fazer cumprir as regras para prevenção à Covid-19. Não há qualquer boicote ou discordância expressa sobre essas medidas. As imagens utilizadas nas redes sociais são do ano passado e relativas a um protesto simbólico: justamente por causa de restrições aplicadas ao uso da força pela polícia bem como por declarações do ministro da tutela que tinham implícitas práticas racistas naquela instituição.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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