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Pneus dos automóveis têm indicação sobre velocidade máxima suportada e data de fabrico?

Sociedade
O que está em causa?
O surgimento das redes sociais potenciou a disseminação “online” de dicas para uma melhor manutenção dos veículos – que, quando não é feita corretamente, pode resultar em gastos avultados para os automobilistas. Mas será que os pneus dos veículos oferecem informações como a velocidade máxima suportada e a data de fabrico?

“Você sabia que a classificação de velocidade de cada pneu é indicada por uma letra na parede do pneu, que vai do L ao H?” Assim se questiona numa recente publicação viral no Facebook, escrita originalmente em língua castelhana, que vai acumulando milhares de partilhas e interações.

De acordo com o post, essa classificação é importante porque “muitas explosões de pneus” ocorrem “por causa da maior velocidade” atingida por um automóvel ou outro tipo de veículo – algo que “pode ser evitado verificando a letra indicada nos seus pneus”. Sublinha-se assim que cada “pneu tem uma determinada classificação de velocidade, com a letra L que significa uma velocidade máxima de 120 km/h e a letra H acima de 210 km/h”.

A estas duas classificações acrescem ainda outros níveis intermédios de velocidade máxima, como os seguintes: “E a letra M significa 130 km. E a letra N significa 140 km. E a letra P significa 150 km. E a letra Q significa 160 km. A letra R significa 170 km. E a letra H significa mais de 210 km.”

Além disso, também o “prazo de validade do pneu é indicado por um número de quatro dígitos na parede” do mesmo, “com os dois primeiros algarismos” a indicarem “a semana de fabrico e os dois últimos indicam o ano”. Um dado a ter em atenção, visto que “a validade de um pneu é geralmente de dois a três anos a contar da data de fabrico”.

Esta informação é verdadeira?

Quanto à indicação da velocidade máxima suportada por um pneu, confirma-se que essa informação tem de estar sempre visível. É algo que está previsto, aliás, no Regulamento n.º 30 da Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa (UNECE). No mesmo define-se “categoria de velocidade” como a “velocidade máxima que o pneu pode suportar, expressa por um símbolo de categoria de velocidade”. Segundo a mesma fonte, existem 13 categorias, sistematizadas na tabela que se segue: 

Símbolo da categoria de velocidade Velocidade máxima (km/h)
L 120
M 130
N 140
P 150
160
R 170
S 180
T 190
U 200
H 210
V 240
W 270
Y 300

Por outro lado, há uma ligeira imprecisão no texto quando se refere que “a letra H significa mais de 210 km/h” – na realidade, essa é a velocidade máxima suportada pelo pneu.

Além disso, os “pneus apresentados para homologação” devem também ter visível a “data de fabrico”, apresentada “sob a forma de um grupo de quatro algarismos, indicando os dois primeiros a semana e os dois últimos o ano”. Uma indicação “que pode ser aposta apenas numa das paredes laterais” do pneu.

O Regulamento citado apresenta ainda um exemplo das marcações que os pneus colocados no mercado devem apresentar”, o que pode ajudar numa interpretação mais fidedigna da informação apresentada em cada pneu.

Porém, segundo informa o Automóvel Club de Portugal (ACP), a informação sobre a data e local de fabrico não equivale diretamente à “data de validade” dos pneus. “A contagem do tempo com base na data de produção de um pneu não é critério para a sua rejeição, uma vez que não existe uma data limite para a sua montagem”, esclarece o ACP.

Assim, considera-se que “o tempo de contagem da vida de um pneu inicia-se quando este é instalado na viatura”. Contas feitas, “após cinco anos da data de montagem devem ser inspecionados anualmente até aos 10 anos da data de fabrico e, completado este tempo, devem ser substituídos, independentemente do seu estado ou do eixo em que se encontrem montados”, conclui.

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Avaliação do Polígrafo:

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