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Pinto Luz diz que o Aeroporto de Lisboa está “recorrentemente nos últimos lugares dos rankings dos aeroportos”. Confirma-se?

Política
O que está em causa?
Miguel Pinto Luz frisou hoje a necessidade de se avançar rapidamente com o novo aeroporto tendo em conta que o sistema aeroportuário da região de Lisboa "está nos limites", apresentando-se recorrentemente "nos últimos lugares dos rankings dos aeroportos". O ministro das Infraestruturas está certo?
© Manuel de Almeida/Lusa

Foi hoje anunciado pelo Primeiro-Ministro a decisão tomada relativamente ao novo aeroporto de Lisboa. A localização está decidida e o nome também: o futuro aeroporto Luís de Camões ficará no Campo de Tiro de Alcochete.

No âmbito das novas medidas apresentadas para as Infraestruturas, o ministro da tutela, Miguel Pinto Luz, lembrou o arrastar da decisão ao longo de 50 anos e sublinhou que o sistema aeroportuário da região de Lisboa “está nos limites”.

“Temos uma estrutura aeroportuária com elevadas restrições de crescimento, recorrentemente estando nos últimos lugares dos rankings dos aeroportos, uma complexidade de operações que resulta em atrasos sistemáticos, todos os portugueses e turistas que nos visitam o sentem”, argumentou o ministro das Infraestruturas e da Habitação de Portugal.

Tem razão?

Segundo o ranking “Global Airport Ranking” – da responsabilidade da AirHelp, uma empresa alemã que se descreve como “o maior defensor mundial dos direitos dos passageiros aéreos” e que elabora esta análise com uma periodicidade anual – confirma-se o que afirmou o ministro das Infraestruturas e da Habitação de Portugal. A empresa em causa dedica-se sobretudo a prestar serviços no apoio jurídico a passageiros junto das companhias aéreas e classifica frequentemente o aeroporto de Lisboa como um dos piores do mundo.

Na edição de 2023, o ranking, que pontua cada aeroporto com base em critérios como o “desempenho pontual” dos voos, a “opinião do cliente” e “comida e lojas”, colocou o Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, entre os piores do mundo.

Num total de 194 países avaliados, o aeroporto de Lisboa ficou na 191.ª posição, com 6,48 pontos, superando apenas os aeroportos de Gatwick (Londres, Reino Unido), Internacional de Malta (Luqa, Malta) e Banjarmasin Syamsudin Noor (Banjarmasin, Indonésia). Por sua vez, o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, surge colocado na 91.ª posição a nível mundial, ou seja, a meio da tabela.

O aeroporto da capital é frequentemente classificado como um dos piores do mundo, tendo em 2020 ficado mesmo na última posição.

De referir que em julho de 2022, o ranking de 2021 foi contestado pelo presidente executivo da ANA – Aeroportos de Portugal, Thierry Ligonnière, e pelo então ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, no âmbito de uma audição no Parlamento.

Ligonnière desvalorizou o estudo e colocou em causa as fontes do mesmo. “Não é uma avaliação objetiva do desempenho de uma infraestrutura aeroportuária feita por uma entidade independente de referência no setor, mas sim uma montagem coxa realizada por uma empresa comercial que se alimenta de indemnizações reclamadas às companhias aéreas por voos atrasados ou cancelados”, alegou.

Tendo em conta essas acusações de não ser uma “avaliação objetiva”, em março de 2023, o Polígrafo questionou a AirHelp sobre metodologia utilizada. Em resposta, a empresa indicou que combinava “várias fontes de dados para calcular o ‘AirHelp Score’, visando fornecer aos passageiros uma visão geral do desempenho de uma companhia aérea ou aeroporto”.

A empresa alemã salientou que “desenvolveu uma base de dados de voo” que acredita “estar entre as mais confiáveis ​​e precisos do mundo” e assegurou que, através dessa base de dados, encontram-se “estatísticas de horários de partida e chegada do voo para cada aeroporto”.

Quanto às fontes de informação, a AirHelp diz que utilizou “várias fontes” de modo a garantir uma “análise sólida”. Essas fontes são as bases de dados próprias, comentários de clientes e cruzamento de dados de vários fornecedores comerciais.

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Avaliação do Polígrafo:

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