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Pingo Doce aumentou preços de produtos depois de Governo anunciar IVA zero?

Sociedade
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Uma meia de leite, um galão e um pão com manteiga: é provável que já tenha visto esta fatura nas redes sociais, onde têm circulado nos últimos dias duas imagens comparativas de uma mesma compra no Pingo Doce de Barcelos, uma a 18 de março e a outra a 25 de março. Quais as principais diferenças? A fatura mais recente custa 42 cêntimos a mais do que a primeira. Entre as duas, o anúncio do Governo de zerar o IVA, que a empresa garante não ter influenciado o aumento.

Primeiro reticente, o Governo de António Costa decidiu avançar com a negociação com produção e distribuição para selecionar um cabaz de bens essenciais (44 produtos) a ficarem isentos de IVA durante seis meses. O anúncio foi feito a 24 de março pelo ministro das Finanças, Fernando Medina, mas já antes tinha sido avançado pelo primeiro-ministro no Parlamento, a 22 de março.

O receio era geral: que os distribuidores, tal como em Espanha, engolissem o desconto do Estado e ficassem a lucrar ainda mais com os produtos selecionados. Por esse motivo, a atenção redobrou-se: tanto, que esta semana nas redes sociais surgiu uma comparação entre faturas numa loja da cadeia Pingo Doce. Apesar de se tratar de serviço de restauração e cafetaria, a verdade é que os produtos como a meia de leite, o galão e o pão com manteiga sofreram um aumento significativo entre 18 de março, data da primeira fatura, e 25 do mesmo mês, um dia depois da confirmação do IVA Zero.

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Foram mais 42 cêntimos no total: 14 cêntimos de aumento na meia de leite, outros 14 no galão e mais 14 no pão com manteiga. O IVA destes produtos, por corresponderem a restauração, é de 13%, mas são os seus componentes que serão influenciados pela medida do Executivo de António Costa, como o pão, a manteiga e o leite, e cujo IVA vai zerar em breve.

Ao Polígrafo, a Jerónimo Martins, dona do Pingo Doce, confirma “a inevitável subida desses preços num contexto de inflação que ainda persiste no mercado”. Ainda assim, a distribuidora desmente categoricamente “qualquer relação desta subida com o anúncio pelo Governo da redução do IVA”.

“Já assumimos publicamente o compromisso de repercutir na íntegra a referida redução no preço de venda, para além do facto de constarem dos talões em causa produtos de restauração e cafetaria, não abrangidos pela medida de IVA Zero”, justifica ainda fonte oficial do grupo.

Para mais, a estimativa rápida do INE para março mostra que a inflação voltou a recuar em março para os 7,4%, taxa inferior em 0,8 pontos percentuais comparativamente ao mês anterior: “Tendo por base a informação já apurada, a taxa de variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor (IPC) terá voltado a diminuir, para 7,4% em março de 2023, taxa inferior em 0,8 pontos percentuais (p.p.) à observada no mês anterior.”

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Avaliação do Polígrafo:

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