O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Pfizer causou aumento de cancro na população através da vacinação contra a Covid-19?

Geração V
O que está em causa?
Na rede social X, está a circular um vídeo onde uma médica afirma que a vacinação contra a Covid-19 está relacionada com o aumento de casos de cancro. Será que esta alegação corresponde à verdade? O Polígrafo verifica.

“A Pfizer cria os problemas, e depois compra as empresas que oferecem a solução. Com o aumento de novos cancros e o regresso de cancros que tinham estabilizado desde que começou a vacinação covid, a Pfizer agora investe em empresas que produzem novos medicamentos contra o cancro”, lê-se na descrição de um tweet publicado em 21 de janeiro. 

Para sustentar o que alega, o autor da publicação recorre a um vídeo onde Maria Emilia Gadelha Serra, médica brasileira, estabelece uma relação entre o aumento de doenças oncológicas e outras patologias com a vacinação contra o SARS-CoV-2, em particular pela vacina da Pfizer.

Mas será que a afirmação é precisa?

A profissional de saúde em causa, inscrita no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo e especializada na área de otorrinolaringologia, é conhecida pelas suas declarações anti-vacina. 

Alvo de investigação pelo Ministério Público de São Paulo, em 2022, por disseminar desinformação relativamente à vacina contra a Covid-19, a médica tem vindo a proferir várias alegações falsas. Entre elas, o aumento de abortos e de doenças como miocardite, pericardite e AVC após a vacinação contra o vírus. 

No entanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) garante a segurança das vacinas contra a Covid-19, garantindo que “como todas as vacinas, as vacinas Covid-19 passam por um rigoroso processo de teste em várias etapas, incluindo grandes ensaios clínicos que envolvem dezenas de milhares de pessoas”, sendo “especificamente projetados para identificar quaisquer preocupações de segurança”.

A Imune.pt, uma iniciativa sobre vacinação e imunização do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa (IHMT-NOVA) cuja informação é “revista e verificada, de forma independente, pela equipa científica do IHMT-NOVA”, aponta que as vacinas “conseguem desencadear uma reação no sistema imunitário para criar anticorpos, mas sem o risco de provocar doença”.

Segundo a plataforma, “este risco também é inexistente nas vacinas de tecnologia mais recente, constituídas por ARN-mensageiro do agente patogénico (caso das vacinas Covid-19 desenvolvidas pela Pfizer e Moderna)”, descartando assim a possibilidade de as vacinas contra o vírus gerarem malefícios na saúde, como é sugerido no tweet.  

No que diz respeito ao aumento de doenças oncológicas, não existem estudos científicos que demonstrem qualquer ligação entre o cancro e a vacinação contra a SARS-CoV-2. 

Em 2021, o diretor do serviço de oncologia do Hospital de Santa Maria, Luís Costa, já abordava a questão explicando que o atraso de diagnósticos causados pela pandemia poderia conduzir a esse cenário. 

Conclui-se, então, que a alegação é falsa. Não há qualquer evidência de que o aumento deste tipo de doença esteja relacionado com a Covid-19. 

_______________________________

Geração V

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto “Geração V – em nome da Verdade”, uma rede nacional de jovens fact-checkers. O projeto foi concretizado em parceria com a Fundação Porticus, que o financia. Os dados, informações ou pontos de vista expressos neste âmbito, são da responsabilidade dos autores, pessoas entrevistadas, editores e do próprio Polígrafo enquanto coordenador do projeto.

*Texto editado por Marta Ferreira.

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque