"No tempo da troika, o barril de crude custava 117 dólares, agora custa quase metade, isto é: 63 dólares. No tempo da troika, o total de impostos sobre a gasolina era de 57% e sobre o gasóleo era de 53%", começa por afirmar um utilizador do Facebook numa publicação de 14 de setembro.

"Agora o total de impostos sobre a gasolina é de 65% e sobre o gasóleo é de 60%, mais uma série de custos fixos que permanecem inalterados, independentemente do preço do crude, como armazenagem, distribuição e comercialização e incorporação de biocombustíveis. Obrigado a este Socialismo brutal do Costa. E a culpa é de Pedro Passos Coelho!?", questiona. Na imagem aparece a comparação dos preços atuais dos combustíveis com os praticados durante o governo liderado por Pedro Passos Coelho, que se apresentam bastante mais baixos.

Mas a informação corresponde à verdade?

Pedro Passos Coelho liderou um governo de coligação entre PSD e CDS-PP de junho de 2011 a novembro de 2015. Desde então, é o PS que está no poder e sempre com António Costa como primeiro-ministro.

Segundo os dados da Pordata, durante a governação de Passos Coelho, a média do preço de venda de gasolina sem chumbo 95 variou entre 1,43 euros (2015) e 1,64 euros (2012) por litro. O gasóleo rodoviário variou entre 1,20 euros (2015) e 1,45 euros (2012) por litro.

Entre 2016 e 2020, o ano em que a média do preço por litro da gasolina sem chumbo 95 foi mais alta foi em 2018 (1,58 euros) e a mais baixa foi em 2016 (1,41 euros). Quanto ao gasóleo, a média foi de 1,18 euros em 2016 e de 1,41 euros em 2019.

De acordo com o Boletim do Mercado de Combustíveis e GPL de agosto (último disponível), da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), o preço médio da gasolina sem chumbo 95 em Portugal durante esse mês foi de 1,717 euros por litro. O preço médio do gasóleo foi de 1,498 euros por litro.

Isto significa que os preços apresentados na publicação aparentam corresponder aos anos em questão, principalmente o que é atribuído a António Costa que corresponde aos custos mais recentes.

Quanto ao preço do petróleo, de acordo com o Boletim Commodities do 2º trimestre de 2021, atualmente, um barril de petróleo custa cerca de 80 dólares. Já durante a governação de Pedro Passos Coelho, os valores rondavam os 110 dólares por barril, mas chegou a superar os 120 dólares em 2012. O valor desse ano foi apenas batido em 2008, quando um barril custava cerca de 140 dólares.

Atualmente, segundo os dados da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (APETRO), os impostos representam 59% do total do preço da gasolina sem chumbo 95, a que se juntam 4% referente a biocombustíveis e 9% a custos de armazenagem, distribuição e comercialização (ADC). No gasóleo, os impostos cobrem 53% do total. Os biocombustíveis representam 7% e os ADC são 9%, tal como na gasolina.

  • Governo não teve qualquer influência no aumento do preço dos combustíveis?

    Durante o debate parlamentar de quinta-feira com o primeiro-ministro, Cecília Meireles acusou António Costa de nunca ter baixado o "adicional do gasóleo e da gasolina", como tinha prometido. Em resposta, o primeiro-ministro rejeitou responsabilidades no aumento do preço dos combustíveis e afirmou que o único custo tributário que tem subido é a taxa de carbono.

Segundo as contas feitas pelo Polígrafo a partir dos preços médios de venda em 2012 (ano em que os combustíveis foram mais caros durante a governação PSD/CDS-PP) e a evolução da carga fiscal sobre os combustíveis, os impostos representavam cerca de 59% do valor por litro da gasolina sem chumbo 95 e no gasóleo cobriam cerca de 48%.

Conclui-se que a base da alegação do post é verdadeira, mas há que ter em atenção algumas imprecisões. Por exemplo, no atual preço do petróleo, além de olvidar cinco anos de governação de António Costa na comparação dos preços.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Verdadeiro: as principais alegações do conteúdo são factualmente precisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Verdadeiro" ou "Maioritariamente Verdadeiro" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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