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Péter Magyar ainda poderá retomar o lugar de eurodeputado nesta legislatura?

União Europeia
O que está em causa?
O novo Primeiro-Ministro da Hungria, Péter Magyar, também foi eleito para o Parlamento Europeu em junho de 2024. Até 2029, caso abandone o Governo do seu país, tem o direito de voltar a exercer o mandato de eurodeputado?
@ EPA/Zoltan Kocsis

No domingo passado, o Tisza venceu as eleições na Hungria e o seu líder, Péter Magyar, tornou-se primeiro-ministro eleito, cargo que assumirá formalmente nas próximas semanas.

Esta não foi a primeira vez que Magyar foi a votos: em junho de 2024, encabeçou a lista do Tisza nas eleições europeias, tendo sido um dos 21 deputados escolhidos pelos eleitores para os representar no Parlamento Europeu.

O agora futuro primeiro-ministro magiar assumiu o mandato de eurodeputado e, pelo menos até fevereiro passado, desempenhou as respetivas funções, como o demonstra a pergunta escrita dirigida à Comissão Europeia sobre as “práticas de confiscação de terras e da criminalização da crítica pública à legislação histórica na Eslováquia”.

No futuro, se deixar de ser primeiro-ministro, Péter Magyar pode retomar o mandato de eurodeputado?

Magyar foi eleito para a X legislatura, que expirará em maio/junho de 2029, sendo este o horizonte temporal do exercício de funções que decorrem das eleições efetuadas em 2024.

No entanto, o regimento do Parlamento Europeu não permite a suspensão de funções por iniciativa do deputado ou do país que representa. Existe um regime de faltas (que podem ou não ter justificação), mas não a figura da suspensão de mandato, como, por exemplo, existe no parlamento português.

Assim, se antes tal não acontecer por iniciativa do próprio, o mandato de Péter Magyar cessa automaticamente quando este for empossado como chefe de governo da Hungria. É isso que prevê logo a primeira alínea do primeiro ponto do artigo 7.º do Ato Eleitoral:

Artigo 7.º

  1.   A qualidade de representante ao Parlamento Europeu é incompatível com a de:

— membro do Governo de um Estado-membro (…) “

O termo do mandato de um eurodeputado pode ocorrer por quatro situações: as já citadas renúncia e incompatibilidade com outro cargo e ainda razões nacionais (que se prendem com a legislação do país pelo qual foi eleito) e, obviamente, morte. 

Nos casos de termo do mandato, a substituição é concretizada segundo as regras eleitorais que regem o país pelo qual foi eleito.

O Parlamento Europeu reserva-se ainda o direito de poder sancionar o seus eleitos com a suspensão de alguns direitos, funções ou regalias, como sucedeu com Eva Kaili, em dezembro de 2022.

É, pois, falso que Péter Magyar ainda possa retomar o lugar de eurodeputado nesta legislatura, caso decida abandonar o cargo de primeiro-ministro da Hungria até 2029. No Parlamento Europeu, não existe a figura da suspensão de mandato, apenas a do respetivo termo, o que sucede agora, por incompatibilidade entre funções.

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UE

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto “[EU[ro Facts”. O projeto foi cofinanciado pela União Europeia no âmbito do programa de subvenções do Parlamento Europeu no domínio da comunicação – EP-COMM-SUBV-2025-MEDIA. O Parlamento Europeu não foi associado à sua preparação e não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores do programa. O Parlamento Europeu não pode, além disso, ser considerado responsável pelos prejuízos, diretos ou indiretos, que a realização do projeto possa causar.

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Avaliação do Polígrafo:

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