Existem vários vírus que podem causar cancro. Por exemplo, o vírus do papiloma humano (HPV) pode evoluir para vários tipos de cancro, sendo o do colo do útero o mais comum. E o vírus da imunodeficiência humana (VIH)? As pessoas com este vírus correm um risco elevado de ter alguns tipos de cancro?
É verdade que pessoas com VIH têm um maior risco de desenvolver alguns tipos de cancro?
O VIH, o vírus que provoca a SIDA, “não parece causar cancro diretamente, mas, com o tempo, enfraquece o sistema imunitário, aumentando o risco de muitas pessoas que vivem com VIH desenvolverem vários tipos de cancro”, explica-se num texto da American Cancer Society (ver também aqui e aqui).
Tal como se esclarecia noutro artigo desenvolvido no âmbito do Vital – O Portal do Cancro, ao enfraquecer as defesas do organismo, o VIH dificulta a eliminação de células com mutações e reduz a capacidade do corpo de controlar infeções crónicas por outros vírus potencialmente cancerígenos.
Além disso, as pessoas com VIH diagnosticadas com cancro têm mais probabilidades de morrer de doença oncológica do que as pessoas sem VIH.
Segundo o National Cancer Institute (NCI) dos Estados Unidos, as pessoas com VIH correm um maior risco de contrair herpesvírus humano 8, “que causa o sarcoma de Kaposi e alguns subtipos de linfoma”.
No mesmo sentido, o VIH também aumenta o risco de infeção pelo vírus de Epstein-Barr, “que causa alguns subtipos de linfoma não Hodgkin e Hodgkin”, e pelo HPV, que pode levar a cancros do colo do útero, anal, orofaríngeo, peniano, vaginal e vulvar.
As pessoas com VIH podem ainda ter um risco aumentado de serem infetadas pelo vírus da hepatite B e pelo vírus da hepatite C, que causam cancro do fígado.
Apesar de tudo, a introdução da terapêutica antirretroviral, no contexto do VIH, mudou drasticamente este cenário, permitindo o controlo da infeção e reduzindo o risco de cancros associados.
Como reduzir o risco de cancro ou detetar a doença precocemente neste contexto?
No texto do NCI, expõem-se várias medidas que podem ajudar as pessoas com VIH a reduzir o risco de cancro ou detetar a doença precocemente.
Em primeiro lugar, é fundamental “tomar a terapia antirretroviral combinada (CAR-T) conforme recomendado”. Com base nas diretrizes atuais de tratamento do VIH, “a CAR-T reduz o risco de sarcoma de Kaposi e linfoma não Hodgkin e aumenta a sobrevida global”, sublinha-se no mesmo texto.
O risco de cancro do pulmão e da boca em pessoas com VIH, por exemplo, pode ser reduzido ao deixar de fumar.
Por outro lado, “as pessoas que vivem com HIV devem fazer o teste para infeção pelo vírus da hepatite” aqueles que forem “diagnosticados com infeção pelo vírus da hepatite devem discutir com o seu médico se o tratamento antiviral é uma opção”, explica-se.
Também é importante tomar a vacina contra o HPV e fazer o rastreio do cancro do colo do útero e do cancro anal.
Como as pessoas com VIH também têm um risco acrescido de cancro do fígado, é fundamental “evitar o consumo excessivo de álcool”.
Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.
A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.
