No Facebook, está a ser partilhada a imagem de uma estrutura de madeira e metal. Em tom crítico, um utilizador descreve esta construção como um "pacovismo tuga" da "moderna eco-parolice de assassinar paisagens, humanizando-as para 'usufruto'".

"Desta vez algures a Norte, no alto de uma colina outrora orgulhosa, nasceu um mono de 254.000 euros. Mais um. Com as prioridades sempre no sítio errado, exibe-se pequenez de espírito mascarado de grandiosidade de obra", afirma-se na publicação em causa. O autor do post não refere a localização exata do miradouro, nem revela a origem da informação relativa ao custo da infraestrutura.

A fotografia da estrutura que está a gerar polémica nas redes sociais pertence ao Observatório da Natureza de Marcelim, localizado na freguesia de Tendais, no concelho de Cinfães. Contactada pelo Polígrafo, fonte oficial da Câmara Municipal de Cinfães considera que o conteúdo da publicação em análise "não corresponde à verdade". Na verdade, a imagem do post mostra apenas uma "pequena parte da obra que contempla vários espaços e estruturas".

Conteúdo da publicação em análise "não corresponde à verdade". Na verdade, a imagem do post mostra apenas uma "pequena parte da obra que contempla vários espaços e estruturas".

Segundo o município, no total, o equipamento ocupa 4.095,00 m2. "A obra contemplou a execução de um observatório superior, com vista sobre o vale do rio Bestança e um observatório inferior, com vista sobre a foz do rio Bestança e o vale do rio Douro (a imagem que aparece no post)". A mesma fonte revela ainda que "o espaço foi dotado de uma praça de receção, um anfiteatro, uma praça de festas vocacionada para a realização de pequenos eventos e uma zona de recreio infantil".

"A intervenção contemplou também a criação de uma zona de estacionamento com capacidade para seis viaturas, colocação de ecopontos, a instalação de WC público, colocação de iluminação pública e sinalética com espécies animais menos conhecidas e que ainda habitam naquela zona", acrescenta a Câmara Municipal, que cedeu ao Polígrafo fotografias dos vários espaços descritos.

Dos trabalhos elaborados pelo município de Cinfães, fizeram ainda parte a colocação de mesas e bancos em vários pontos do local, a criação de acessos pedonais e um passadiço de madeira que faz a ligação entre os dois observatórios. O executivo municipal partilhou ainda a planta da empreitada, que permite ter uma perceção clara da dimensão do espaço.

Já em relação ao valor da obra, na publicação em análise indica-se que custou 254 mil euros. No portal Base encontramos o registo do contrato público em causa, classificado enquanto contrato sustentável. Os pormenores contratuais do "Observatório da Natureza de Marcelim" foram publicados em julho de 2020, entre eles o valor de adjudicação que correspondia a 248.985,29 euros.

Existe outro contrato associado a este equipamento, publicado em agosto de 2021, no valor de 24.528,33 euros. Segundo a Câmara Municipal de Cinfães, o valor total da adjudicação da obra é até superior à soma dos dois contratos, ascende a 287.155,82 euros.

Em suma, a publicação analisada transmite informação descontextualizada ao divulgar de forma isolada a imagem de uma das estruturas que compõem um observatório de natureza localizado no concelho de Cinfães.

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