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Pedro Pinto: “Portugal teve um excedente orçamental à conta dos combustíveis mais caros da Europa”

Política
O que está em causa?
Na véspera do início da XVI Sessão Legislativa, Pedro Pinto juntou-se a Paulo Rangel, Adalberto Campos Fernandes e Carlos Guimarães Pinto para discutir o excedente orçamental recorde anunciado pelo INE esta segunda-feira. O deputado do Chega até justificou o montante, mas mal. É que, ao contrário do que disse, Portugal não tem - nem nunca teve - os combustíveis mais caros da Europa.

António Costa ainda teve tempo de o festejar – foi ontem confirmado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) o maior excedente orçamental dos últimos 50 anos -, mas é Luís Montenegro quem lhe vai poder dar uso. Na CNN Portugal, Paulo Rangel, Carlos Guimarães Pinto, Adalberto Campos Fernandes e Pedro Pinto discutiram ontem à noite as origens do valor recorde. Mas nem todos acertaram nas teorias.

O deputado do Chega, por exemplo, garantiu que o país teve “três mil milhões de euros de excedente à conta dos portugueses, das maiores cargas fiscais da Europa, do pagamento de portagens brutal e dos combustíveis mais caros da Europa“. A afirmação relativa aos combustíveis não é pioneira no partido, mas permanece falsa.

Desde logo porque, de acordo com o “Boletim dos Preços UE-27 de Combustíveis” publicado pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) e relativo ao último trimestre do último ano, apesar de os preços médios de venda, quer da gasolina quer do gasóleo, serem mais altos do que a média da União Europeia, a verdade é que Portugal ocupou, nesse período, a 9.ª e 14.ª posição dos países com os preços mais altos de gasolina e gasóleo, respetivamente.

A teoria de Pedro Pinto é, em suma, insustentada. Além disso, os preços dos combustíveis praticados em Portugal nunca foram os mais altos da Europa (ou da União Europeia) durante as séries de boletins disponíveis na ERSE, que recuam até 2020.

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Avaliação do Polígrafo:

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