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Pedro Pinto na CNN: “O PSD manteve o mesmo número de deputados que tinha há dois anos”

Política
O que está em causa?
Em debate ontem à noite no programa "CNN Prime Time", o deputado do Chega insistiu na ideia de um "acordo de Governo" com a Aliança Democrática (AD), apesar do "não é não" que o respetivo líder, Luís Montenegro, tem vindo a repetir antes e após as eleições legislativas de 10 de março. Nesse sentido argumentou que "foi o Chega que tirou a maioria absoluta ao PS", porque "o PSD manteve o mesmo número de deputados". Verificação de factos.

Há um facto que podemos desde já comprovar: o discurso do líder André Ventura está perfeitamente alinhado com o dos restantes deputados e dirigentes do partido Chega que têm aparecido nas televisões e jornais a comentar os cenários pós-eleitorais desde a noite de 10 de março, por vezes quase repetido palavra a palavra. Ontem à noite (18 de março) em debate na CNN Portugal, frente a Duarte Marques (ex-deputado do PSD) e Adalberto Campos Fernandes (ex-ministro da Saúde de um Governo do PS), Pedro Pinto não fugiu à regra e voltou a defender a necessidade de um “acordo de Governo” entre o Chega e a Aliança Democrática, apesar da rejeição de Luís Montegro.

“Os portugueses, no domingo, deram um sinal ao nosso país. E deram um sinal [de] que queriam uma governação à direita. E foi por isso que foi o Chega que tirou a maioria absoluta ao PS. É que não foi o PSD. O PSD manteve o mesmo número de deputados que tinha há dois anos atrás”, declarou Pedro Pinto, reeleito como deputado do Chega para a próxima legislatura.

Na mesma intervenção, ainda repetiu o argumento de que “foi o Chega que tirou essa maioria absoluta ao PS”, elaborando depois que, na sua perspetiva, “então os portugueses deram um sinal, um milhão, mais de um milhão de portugueses disseram: ‘nós queremos um Governo de direita em Portugal, nós queremos dar estabilidade a Portugal'”.

É verdade que “o PSD manteve o mesmo número de deputados”?

Não. Embora tenha ficado muito próximo do número obtido em 2022.

De facto, nas eleições legislativas de 2022, o PSD concorreu a solo no território continental e em coligações com o CDS-PP na Madeira e nos Açores (nesta última região, incluindo também o PPM). Obteve então um total de 77 mandatos de deputados, incluindo três da Madeira e dois dos Açores que foram eleitos através das referidas coligações.

Entretanto, nas eleições legislativas de 2024, o PSD concorreu integrado na coligação AD (juntamente com CDS-PP e PPM) em território nacional e em coligação apenas com o CDS-PP na Madeira. Ainda sem estarem apurados os resultados nos círculos do Estrangeiro, a AD conquistou um total de 79 mandatos de deputados, incluindo três da Madeira que foram eleitos através de coligação com o CDS-PP.

Este número deverá ainda aumentar com os votos dos círculos do Estrangeiro. Quando já foram apurados cerca de metade desses votos, a contagem parcial aponta para dois deputados do Chega, um da AD e outro do PS.

Numa entrevista ao jornal semanário "Novo" em que voltou a sublinhar a necessidade de "negociações" ou mesmo um "acordo de Governo" entre o Chega e a Aliança Democrática, Ventura disse que a redução da taxa de IRC "é importante" no sentido de exponenciar o crescimento económico de Portugal, mas alertou que isso "por si só" pode não ser suficiente, apontando para o exemplo da Bulgária. Verificação de factos.

Além de mais mandatos, a AD obteve também mais votos do que o PSD em 2022: sem os círculos do Estrangeiro, acumula até agora mais de 1,8 milhões de votos, ao passo que em 2022 não tinha ido além de pouco mais de 1,6 milhões.

Quanto ao argumento de que “foi o Chega que tirou essa maioria absoluta ao PS”, ainda que esteja próximo da realidade, importa sublinhar que o Livre quadruplicou a sua representação parlamentar, contribuindo assim (à sua escala e a par da AD) para esse resultado.

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Avaliação do Polígrafo:

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