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Pedro Nuno Santos visitou obra de linha ferroviária entre Sines e Elvas que foi “candidatura e projeto do Governo de Passos Coelho”?

Política
O que está em causa?
Em iniciativa da campanha eleitoral, o líder do PS visitou esta semana a obra de um troço do Corredor Internacional Sul, projeto de ligação ferroviária entre Sines e Elvas. O desenvolvimento da ferrovia tem sido um tema recorrente na campanha e discurso político do ex-ministro das Infraestruturas. Mas relativamente a esta obra em particular, no X/Twitter há quem sublinhe que resultou de "uma candidatura e projeto do Governo de Passos Coelho que, 10 anos depois, continua por acabar".

“PNS [Pedro Nuno Santos] é um político com grande fair play. Foi ontem visitar as obras da linha de Sines. Uma candidatura e projeto do Governo de Passos [Coelho] que, 10 anos depois (!), continua por acabar”, destaca-se num tweet de 1 de março, remetido ao Polígrafo para verificação de factos.

A acusação surge um dia depois de o secretário-geral do PS ter visitado “no Alandroal, distrito de Évora, o troço ferroviário em obra do Corredor Internacional Sul”, como se informa em nota publicada no site do partido. Em causa, segundo um comunicado publicado no site do Governo em junho de 2023, está um projeto que “vai ligar os portos de Sines, Lisboa e Setúbal a Espanha”, possibilitando “encurtar a distância entre Sines e a fronteira em três horas e meia”.

É verdade que esta obra resulta de uma “candidatura e projeto do Governo de Passos Coelho”?

No site da IP – Infraestruturas de Portugal sistematizam-se as várias fases de candidatura associadas ao designado Corredor Internacional Sul. E, de facto, a construção do troço Évora-Caia, no âmbito da ligação ferroviária “Sines/Elvas (Espanha)”, estava já prevista no âmbito de uma candidatura efetuada, em 2014, pelo Governo português – na altura liderado por Pedro Passos Coelho, com base numa coligação PSD/CDS-PP – à Comissão Europeia.

A “ação inclui estudos de conceção e trabalhos para a renovação do troço Évora-Évora Norte, bem como a construção da nova linha ferroviária entre Évora Norte e Elvas/Caia (fronteira com Espanha)”, lê-se no documento oficial do projeto.

Porém, facto é que se seguiram várias iniciativas de Governos do PS no sentido de expandir a aposta nessa ligação. Em 2016, quando António Costa já exercia o cargo de Primeiro-Ministro, avançou-se com uma nova candidatura à Comissão Europeia – neste caso, para a segunda fase da construção desse mesmo troço, entre Évora e Caia. Nesse momento, estava prevista a realização de “trabalhos para a construção de aproximadamente 84 km de superestrutura ferroviária ao longo da ligação ferroviária de tráfego misto (passageiros e mercadorias) entre Évora Norte e Elvas/Caia”.

A esse seguiu-se um novo projeto, datado do mesmo ano, referente ao troço entre Sines-Ermidas-Grândola – também em tempo de governação do PS. O mesmo previa a “realização das obras necessárias para melhorar as condições de exploração da linha ferroviária condições de exploração da linha de caminho de ferro Sines-Porto-Ermidas”, assim como outras intervenções de modo a “permitir a circulação de comboios mais longos” e aumentar a “velocidade de referência da via”.

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Avaliação do Polígrafo:

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