Com sala cheia no Teatro Thalia, em Lisboa, Pedro Nuno Santos insistiu esta tarde, durante a apresentação do programa dos socialistas, no desmentido a Luís Montenegro. É que o líder dos sociais-democratas disse, esta sexta-feira, que, nos últimos anos, o único Governo a cortar as pensões foi o socialista. A afirmação de Montenegro tem dois problemas: primeiro, porque o PS foi o único partido a liderar nos últimos anos; segundo, porque, antes de António Costa, o país era liderado por Pedro Passos Coelho, cujas ligações aos cortes nas pensões são inegáveis.

Foi também por isso que Pedro Nuno fez questão de esclarecer, pela terceira vez, que o Governo de que também fez parte não é responsável por nenhum corte de pensões "nos últimos oito anos". Hoje como ontem, no debate frente a Inês Sousa Real, o socialista tem razão.

Para já, não existiu um corte no valor das pensões de reforma no ano de 2022 ou 2023 ou sequer 2024, já que o valor em falta (da atualização anual prevista na lei, em alinhamento com a taxa de inflação e o PIB) foi pago na forma de adiantamento logo em outubro de 2022.

À data, era esperado que o Estado poupasse 1.000 milhões de euros com a medida, mas o Governo trocou as voltas à oposição já em junho do último ano, quando procedeu aoaumento intercalar das pensões, anunciado pelo Governo a 17 de abril durante a apresentação do Programa de Estabilidade. De acordo com Fernando Medina, esta correção da base das pensões serviu para aplicar de forma integral a fórmula de atualização prevista na lei (que de outra forma não seria aplicada). A medida foi avaliada num total de 1.000 milhões de euros. 

A conclusão é clara: não houve corte de pensões. Aliás, nos oito anos de governação socialista os pensionistas tiveram um aumento do valor médio anual das pensões de velhice, invalidez ou sobrevivência pagas pela Segurança Social -, de acordo com dados compilados pela Pordata (e com origem no Instituto da Segurança Social), de 5.264 euros em 2015 para cerca de 6.734 euros em 2024, o que perfaz um aumento global de 1.470 euros, equivalente a cerca de 27,9%.

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