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Pedro Nuno Santos: “Quando disse que os despedimentos não eram inevitáveis, não estava a dizer que não haveria redução no pessoal da TAP”

Política
O que está em causa?
Entrevistado ontem à noite no programa "Isto é gozar com quem trabalha - Especial outra vez eleições" da SIC, questionado sobre uma sua contradição em 2020 - primeiro disse que os despedimentos na TAP não eram "inevitáveis", quatro meses depois anunciou milhares de despedimentos -, o ex-governante insistiu na ideia de que "não eram inevitáveis" e alegou que "não estava a dizer que não haveria redução no pessoal da TAP". Verificação de factos.

“Tanto não eram inevitáveis que as saídas foram com rescisões por mútuo acordo, foram negociadas. Os despedimentos foram num número reduzido na TAP”, defendeu Pedro Nuno Santos, ontem à noite (6 de março), no programa “Isto é gozar com quem trabalha – Especial outra vez eleições” da SIC.

O humorista Ricardo Araújo Pereira tinha recordado uma contradição de Pedro Nuno Santos em 2020, quando desempenhava as funções de ministro das Infraestruturas – primeiro disse que os despedimentos na TAP não eram “inevitáveis”, quatro meses depois anunciou milhares de despedimentos.

“Hoje a TAP é uma empresa que está a crescer, que está bem, está saudável e voltou a contratar“, prosseguiu o entrevistado na sua resposta. “E isso é que era o objetivo, era conseguirmos salvar a empresa, para que a empresa pudesse hoje continuar a servir Portugal”.

Ensaiou depois uma justificação mais concreta para o sucedido em 2020 que passamos a transcrever:

“Eu quando disse que os despedimentos não eram inevitáveis, não estava a dizer que não haveria redução no pessoal da TAP. Isso tinha que haver, era um processo de reestruturação. Agora, nós sabíamos é que tínhamos de encetar um processo negocial, esse processo negocial foi iniciado com os trabalhadores, a maioria esmagadora dos trabalhadores que saíram da TAP, saíram no quadro de rescisões por mútuo acordo. O despedimento foi residual.”

Tem razão quando alega que “não estava a dizer que não haveria redução no pessoal da TAP”?

Recuemos até ao dia 15 de outubro de 2020, quando Pedro Nuno Santos participou numa audição na Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, na Assembleia da República, a propósito das medidas de apoio ao setor da aviação civil, os objetivos do plano de reestruturação da TAP e a posição do Governo face à investigação da Comissão Europeia à SATA, mediante requerimento do Bloco de Esquerda.

Durante a sua intervenção, o ministro das Infraestruturas e da Habitação revelou que “no total do grupo [da TAP], neste momento, saíram já 1.200 [trabalhadores] e prevê-se que saiam 1.600 até ao final do ano“.

Nesse âmbito defendeu que os despedimentos eram inevitáveis. “Nós não podemos fazer de outra maneira, nomeadamente manter emprego que depois, obviamente, não tem trabalho”, alegou.

Cerca de quatro meses antes, porém, quando o Governo preparava a renacionalização da TAP, o mesmo ministro assegurara que os despedimentos “não têm que ser inevitáveis“.

De facto, no dia 16 de junho de 2020, Pedro Nuno Santos garantiu que os despedimentos “não têm que ser inevitáveis” para reestruturar a TAP, considerando que o processo teria de contar com a participação dos sindicatos.

“Os despedimentos não têm que ser inevitáveis. Há várias formas de fazermos uma reestruturação da empresa. O que ela tem é de ser feita com os sindicatos e há várias formas de fazermos isso. Os sindicatos têm várias sugestões e propostas. É um trabalho que vamos fazer”, declarou então Pedro Nuno Santos.

Está a ser partilhada viralmente no Facebook uma tabela com dados sobre a evolução do salário mínimo nacional entre 2003 e 2024, sendo notório que nos períodos de governação do PS foram aplicados maiores aumentos em valor nominal do que nos períodos de governação do PSD. Esses dados estão corretos?

No dia 3 de julho de 2020, aliás, o mesmo ministro recusou novamente assumir um cenário de despedimentos na TAP, no âmbito do processo de reestruturação.

Inevitabilidades não as assumo. Não faz sentido estar a assumir cenários que decorrerão de um plano de reestruturação”, assegurou, questionado sobre a possibilidade de a reestruturação da empresa implicar uma redução do número de trabalhadores.

Na conferência de imprensa em que foi anunciado o acordo com os acionistas privados da TAP que resultou na saída do empresário David Neeleman e no reforço da posição acionista do Estado de 50% para 72,5%, o ministro afirmou que “há várias soluções“, pelo que “não precisamos nesta fase de assumir inevitabilidades que decorrerão de uma negociação” que iria ainda ser realizada.

Admitindo que o processo “é exigente e difícil”, Pedro Nuno Santos repetiu várias vezes que não iria “assumir já inevitabilidades”.

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Avaliação do Polígrafo:

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