"Então se sabe porque é que me está a perguntar?" Foi desta forma bem-humorada, entre sorrisos, que Pedro Nuno Santos tentou passar ao largo de um momento difícil da entrevista ao podcast "Geração 70", transmitida ao vivo no dia 5 de janeiro, em que admitiu que não viaja de comboio "há algum tempo" e não sabe qual é o preço atual de um bilhete de comboio "Intercidades" na ligação entre Lisboa e Porto.

Seguiu-se uma comparação do jornalista entre os preços dos comboios - o "Intercidades" pode custar 25 euros, o "Alfa Pendular" pode chegar aos 34 euros - e os de uma companhia privada de autocarros - a "FlixBus" - que no mesmo percurso entre as duas maiores cidades do país cobra apenas cerca de 10 euros.

Questionado sobre se "faz sentido esta variação de preços", o ex-ministro das Infraestruturas disse que "na ligação Lisboa-Porto, onde esses autocarros têm mais sucesso - mas também na ligação ao Algarve, mas nomeadamente na ligação entre Lisboa e Porto -, a única coisa que eu posso dizer é que os comboios estão lotados. Não há espaço, nem para mais comboios, nem há mais lotação."

Um vídeo com esta parte da entrevista foi entretanto difundido em redes sociais como o TikTok e o X/Twitter, onde aliás se colocou em dúvida a alegação de Pedro Nuno Santos, pedindo uma verificação de factos do Polígrafo sobre "os números de passageiros por viagem" nos comboios da CP entre Lisboa e Porto.

Contactada pelo Polígrafo, a CP informou que "nas horas de maior procura, particularmente ao início e ao final do dia, os comboios 'Alfa Pendular' que operam na ligação entre Porto e Lisboa circulam frequentemente com a lotação esgotada".

Quanto aos comboios "Intercidades" na mesma ligação, "embora a CP adapte o número de carruagens de cada composição para atender à procura dos clientes, é notório que estes comboios circulam quase no máximo da sua lotação nos mesmos períodos".

Num plano mais geral, durante o ano de 2023, de acordo com os dados da CP, "os comboios de longo curso entre Lisboa e Porto e vice-versa registaram uma ocupação média superior a 84%".

De resto, a empresa sublinhou ainda que "é importante destacar que, nas horas de pico da manhã e do final do dia, a taxa de ocupação alcançou valores próximos dos 100%".

Em suma, a alegação de Pedro Nuno Santos seria verdadeira se se tivesse referido especificamente às "horas de maior procura, (...) ao início e ao final do dia".

Em média geral, porém, a lotação dos comboios na referida ligação ascende a cerca de 84%. O que não equivale a comboios sempre "lotados" nem à inexistência total de "mais lotação".

_____________________________

Avaliação do Polígrafo:

Assine a Pinóquio

Fique a par dos nossos fact checks mais lidos com a newsletter semanal do Polígrafo.
Subscrever

Receba os nossos alertas

Subscreva as notificações do Polígrafo e receba os nossos fact checks no momento!

Em nome da verdade

Siga o Polígrafo nas redes sociais. Pesquise #jornalpoligrafo para encontrar as nossas publicações.