O futuro da TAP é agora uma incerteza, mas para o Governo é impensável deixar a empresa falir devido à sua importância estratégica. A mensagem tem sido repetida por vários membros do Executivo e foi sublinhada ontem, dia 30 de junho, por Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e da Habitação, no decurso de uma audição parlamentar.

“Quando estamos a falar da TAP não podemos falar dos resultados da TAP enquanto empresa, porque esse é um desastre de análise. Estamos a falar daquela que uma das maiores exportadoras nacionais. Nós estamos a falar de uma empresa que traz metade dos turistas e o setor do Turismo tem uma importância determinante para a economia nacional como nós sabemos. Quase 90% dos nossos turistas chegam por via aérea e metade desses chegam pela TAP”, afirmou o ministro.

Mas com tantas companhias aéreas - sobretudo do segmento low-cost - a encherem os céus portugueses de aviões, é verdade que a TAP transporta metade dos turistas que voam para o nosso país?

Segundo os dados divulgados pela Autoridade Nacional da Aviação Civil, no respetivos Boletins Estatísticos Trimestrais, de facto, a TAP é responsável por uma parcela muito significativa do transporte de turistas que chegam ao território nacional. No entanto, e quando se olha para os cinco aeroportos portugueses, a distribuição de passageiros é diferente de região para região.

Olhando para os números do último trimestre de 2019, chegaram e partiram dos aeroportos nacionais 12.974.950 passageiros, sendo que 42,8% (5.557.909) destes vieram com a TAP. Dos 92.885 voos efetuados nesse período, 41,7% (38.780) foram operados pela transportadora aérea portuguesa.

Ainda assim, a TAP tem uma maior relevância no tráfego do Aeroporto de Lisboa do que nos restantes quatro. Na capital, 56% dos passageiros (4.604.179) e 55% dos movimentos (29.275) são da responsabilidade da TAP. Já quando olhamos para o Porto estes números baixam para 20% (610.991 passageiros) e 28% (6.521 voos).

No Funchal perfazem 28% (205.107 passageiros) e 29% (1.707 voos), na Ponta Delgada 17% (74.779 passageiros) e 13% (638 voos) e em Faro, o aeroporto onde a TAP tem uma menor expressão, 4% (62.852 passageiros) e 6% (638 voos). Como Lisboa recebe muito mais passageiros do que os restantes aeroportos, os números acabam por se equilibrar.

A TAP tem uma maior relevância no tráfego do Aeroporto de Lisboa do que nos restantes quatro. Na capital, 56% dos passageiros (4.604.179) e 55% dos movimentos (29.275) são responsabilidade da TAP. Já quando olhamos para o Porto estes números descem para 20%, ou seja, 610.991 passageiros, e 28%, ou seja, 6521 voos.

No primeiro trimestre do ano, e já com o efeito da pandemia Covid-19 que fez diminuir a quantidade de passageiros transportados em 12% relativamente ao mesmo período do ano passado, os resultados não são muito diferentes. A TAP concentra uma quota de 44,5% dos passageiros transportados (4.090.518 de um total de 9.189.892 pessoas) e 38% dos movimentos registados nos cinco aeroportos. A percentagem de passageiros e voos TAP em Lisboa manteve-se igual, embora o número concreto tenha diminuído e em Faro aumentaram para 8% nas duas variáveis.

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Nota editorial: Este artigo foi atualizado às 12h27m do dia 6 de julho, com a alteração da avaliação que passou de "Impreciso" - a classificação que, por lapso, foi atribuída inicialmente - para "Falso". Pelo erro, pedimos desculpa aos leitores.

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