"Ao contrário do PS e dos seus candidatos às europeias, nós não fugimos à rua e não fugimos ao contacto com as populações", criticou ontem Paulo Rangel, cabeça-de-lista do PSD às eleições europeias. "Tenho sido tão bem recebido nas ruas. Faço o convite, vão ao meu Facebook de campanha. Quem faz esse tipo de críticas, para não dizer coisas disparatadas, vão ver o meu Facebook de campanha. A campanha de rua tem sido uma campanha muito forte e tem sido até positiva", respondeu hoje Pedro Marques, cabeça-de-lista do PS.

"Levo três meses de trabalho a esclarecer as pessoas, a pedir às pessoas que votem e tenho encontrado muita confiança em nós, porque as pessoas têm mais emprego, porque aumentámos as pensões, porque criámos aquela medida dos passes sociais para todo o país e tudo isso tem sido reconhecido nos encontros com milhares de portugueses", acrescentou Marques que, pouco tempo depois, publicou mesmo um tweet com várias fotografias ilustrativas da "campanha de rua" que tem realizado.

É verdade que Pedro Marques tem feito "campanha de rua" e contacto com os cidadãos? Ou tem "fugido à rua", como disse Paulo Rangel, embora referindo-se aos "candidatos do PS" como um todo? Verificação de factos.

Avaliar se um candidato tem feito "campanha de rua" é um exercício complexo do ponto de vista da objetividade inerente ao fact-checking, desde logo por causa da definição do conceito de "campanha de rua". Por exemplo, as visitas a empresas ou instituições sociais, recorrentes na pré-campanha eleitoral de Pedro Marques, devem ser classificadas como "campanha de rua"? Entendemos que não. E o mesmo se aplica aos almoços-comício e jantares-comício que têm sido uma constante diária na pré-campanha dos socialistas.

De qualquer modo, a partir da divulgação das ações de pré-campanha nas páginas do cabeça-de-lista do PS nas redes sociais (nomeadamente no Facebook e no Twitter), pode concluir-se com relativa segurança que, além dessas visitas mais formais e controladas (no sentido em que o contacto com os cidadãos nas ruas é mais imprevisível), realizaram-se várias iniciativas que se enquadram no conceito (em parte subjetivo, voltamos a ressalvar) de "campanha de rua". Há dezenas de fotografias nas referidas páginas que o comprovam.

Ora, Paulo Rangel estaria a referir-se ao período oficial de campanha eleitoral que se iniciou apenas hoje. De acordo com a agenda da campanha de Pedro Marques, a primeira iniciativa de contacto com os cidadãos nas ruas está prevista para a próxima sexta-feira, dia 17 de maio. Não obstante, o facto é que o cabeça-de-lista do PS tem feito "campanha de rua" ao longo dos últimos meses.

Esta semana deverá estar mais resguardado, ou pelo menos é o que se depreende a partir da respetiva agenda, mas isso não permite concluir - per se - que o ex-governante estará a "fugir à rua" e ao contacto direto com os cidadãos.

Avaliação do Polígrafo:

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