O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Pedro Marques diz que o candidato do PSE à presidência da Comissão Europeia propõe um “Salário Mínimo Europeu”. É verdade?

Política
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
O cabeça-de-lista do Partido Socialista (PS) às eleições europeias publicou um "tweet" com uma série de propostas de Frans Timmermans, candidato do Partido Socialista Europeu (PSE) à presidência da Comissão Europeia. Entre as propostas destaca-se a criação de um "salário mínimo europeu". É verdade, ou trata-se de um erro de tradução?

“O Novo Contrato Social para a Europa, pelo candidato do PSE: Impostos sobre multinacionais; Salário Mínimo Europeu; Habitação acessível; Igualdade salarial entre géneros; Desenvolvimento Sustentável; Não à austeridade; Não aos extremismos“. Esta foi a mensagem publicada por Pedro Marques, cabeça-de-lista do PS às eleições europeias, na rede social Twitter, a 18 de abril.

Baseou-se num tweet publicado no mesmo dia por Frans Timmermans, político e diplomata holandês, atual primeiro vice-presidente da Comissão Europeia e candidato do PSE à presidência da Comissão Europeia, no processo de seleção que resultará das eleições para o Parlamento Europeu, agendas em Portugal para o dia 26 de maio. As propostas de Timmermans foram escritas originalmente em língua inglesa, tendo Marques traduzido para a língua portuguesa na sua publicação.

 

 

É verdade que Timmermans propõe a criação de um “Salário Mínimo Europeu“?

Ora, no tweet original de Timmermans, a segunda proposta é a seguinte: “Minimum wages for all Europeans”. A tradução correta deveria ser algo como “Salários mínimos para todos os europeus” e não “Salário Mínimo Europeu”. A proposta de Timmermans não consiste em criar um “Salário Mínimo Europeu”, o que parece aliás implicar a determinação de um valor único, similar, para todos os Estados-membros da União Europeia. “Salários mínimos para todos os europeus” aponta para a garantia de que, em todos os Estados-membros da União Europeia, os respetivos cidadãos tenham direito a um salário mínimo nacional e não “europeu”.

 

 

Em vários comentários à publicação de Marques no Twitter surgiram críticas e avisos para o erro de tradução, mas o candidato do PS (e ex-ministro do Planeamento e das Infraestruturas) não corrigiu, continuando assim a difundir uma falsidade.

Além do “Salário Mínimo Europeu”, há outro problema na mensagem de Marques, mais especificamente na última proposta. Timmermans escreveu “No coalitions with extremists”, corretamente traduzível para “Rejeitar coligações com extremistas“, ou “Não às coligações com extremistas”. Mas a tradução de Marques distorce a ideia original de Timmermans para “Não aos extremismos“.

Nos comentários à publicação de Marques também se sublinhou mais este erro de tradução, ou distorção dos factos, mas o candidato do PS não corrigiu. “Rejeitar coligações com extremistas” é uma ideia claramente distinta de “Não aos extremismos”, desde logo pelas suas implicações concretas na futura composição do Parlamento Europeu.

Estes dois erros de tradução na mensagem de Marques têm a agravante de incidirem sobre propostas apresentadas por outra pessoa, Timmermans. Ou seja, Marques está a distorcer o sentido das propostas de Timmermans e, mesmo alertado para essa situação, recusa-se a corrigir.

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque