O ex-ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, que cessou funções no Governo para encabeçar a lista de candidatos do Partido Socialista (PS) nas eleições para o Parlamento Europeu (a realizar no dia 26 de maio de 2019), participou hoje numa iniciativa da Juventude Socialista (JS) em Leiria, um encontro denominado como "A Tua Geração na Europa". O secretário-geral do PS e atual primeiro-ministro, António Costa, também marcou presença no encontro, tendo apelado ao voto dos jovens nas próximas eleições, segundo relatou a Agência Lusa.

"É muito importante participar nestas eleições europeias. Não sejamos ingénuos, há quem sonhe com uma má votação do PS nestas eleições europeias para enfraquecer o Governo do PS e as políticas que temos vindo a seguir e que têm permitido ter mais emprego, menos desigualdades e mais crescimento económico", afirmou Costa.

Por sua vez, Marques salientou que "não votar nas eleições europeias pode fazer a diferença para muito pior, como aconteceu aos jovens britânicos". Referindo-se ao referendo que aprovou o "Brexit" no Reino Unido, em 2016, o ex-ministro argumentou que "os jovens britânicos, que eram profundamente apoiantes da permanência na União Europeia, escolheram não escolher. Muitos deles ficaram em casa e agora estamos metidos nesta situação".

É verdade que "muitos jovens britânicos" não votaram no referendo do "Brexit" e isso fez a diferença?

Importa começar por recordar os resultados oficiais do referendo, divulgados pela Comissão Eleitoral do Reino Unido. De um universo de 46,5 milhões de eleitores registados, votaram 72,2%. A título de comparação, nas eleições europeias de 2014 no Reino Unido, a afluência às urnas quedou-se em 35,6%. Ou seja, a afluência às urnas no referendo sobre o "Brexit", em 2016, foi mais do dobro em comparação com as anteriores eleições europeias. A abstenção foi bastante reduzida, o que parece desde já contrariar o argumento explanado pelo ex-ministro Marques.

Quanto ao resultado concreto do referendo, 51,9% votaram na opção de saída da União Europeia e 48,1% votaram na opção de permanência. A opção de saída venceu o referendo, com um diferença superior a um milhão de votos. Ou seja, foi uma votação renhida, tornando mais plausível o argumento de Marques.

Logo nos dias seguintes ao referendo de 2016 começou a ser difundida a informação de que apenas 36% dos jovens britânicos (entre os 18 e os 24 anos de idade) teriam votado. No entanto, cerca de um mês depois, através de um conjunto de sondagens da Opinium apurou-se que a afluência às urnas dos jovens britânicos (na referida faixa etária) terá sido bastante superior, na ordem de 64%, mais do dobro em relação ao que inicialmente se estimara.

As sondagens da Opinium (ressalve-se que não se trata de resultados concretos, mas estimativas baseadas em sondagens pós-eleitorais e com amostras na ordem de dois mil inquiridos) indicaram que na faixa etária 25-39 anos votaram 65%, na faixa etária 40-54 anos votaram 66%, na faixa etária 55-64 votaram 74% e na faixa etária acima de 65 anos votaram 90%. Em suma, a abstenção foi menor entre a população mais idosa.

Por outro lado, as sondagens também indicaram que mais de 70% dos jovens (faixa etária 18-24) votou a favor da permanência na União Europeia. Ao passo que dos eleitores com idade superior a 65 anos, apenas 40% votou a favor da permanência.

Atendendo aos dados disponíveis, a afirmação em análise de Marques é fundamentada e pode ser classificada como verdadeira. Mas contém alguns elementos de imprecisão: diz que "muitos deles [jovens britânicos] ficaram em casa", mas o facto é que a afluência às urnas da faixa etária 18-24 anos até foi elevada, na ordem de 64% (sobretudo em comparação com anteriores eleições europeias); quanto a "fazer a diferença" no resultado final, trata-se de um exercício de especulação pós-eleitoral, sendo impossível prever como votariam esses jovens que se abstiveram.

Ao que acresce o facto de todos estes dados sobre a abstenção e sentido de voto mediante faixas etárias derivarem de sondagens, meras estimativas. Não são dados oficiais nem resultados concretos. Mais do que imprecisão, trata-se neste ponto de impossibilidade de verificação factual.

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