"O manifesto do PPE é securitário, pretendendo montar uma guarda costeira equipada com drones. É uma espécie de polícia de choque contra refugiados e migrantes", afirmou Pedro Marques, no dia 21 de maio, durante um encontro com estudantes universitários.

Na iniciativa que decorreu na Universidade Nova de Lisboa, o cabeça-de-lista do PS às eleições europeias frisou que o seu partido não cede "aos valores da direita radical" do PPE, no qual se integram o PSD e o CDS-PP, argumentando que o PS quer apenas "segurança" nas fronteiras. "Temos uma visão solidária sobre a solução para a crise humanitária: cooperação efetiva com os Estados-membros que são mais afetados com as migrações e parceria com África", destacou.

Na noite anterior, em debate na RTP frente aos cabeças-de-lista dos principais partidos, Marques já tinha lançado a mesma acusação sobre o programa do PPE, referindo-se à suposta "polícia de choque contra refugiados e migrantes". O cabeça-de-lista do PSD, Paulo Rangel, negou que isso fosse verdade e colocou em causa a "credibilidade" de Marques, o qual insistiu que era verdade enquanto mostrava uma cópia do manifesto eleitoral do PPE.

Vários leitores do Polígrafo solicitaram uma verificação de factos. É verdade que o manifesto do PPE propõe a criação de uma "polícia de choque" para travar migrantes?

No manifesto eleitoral do Partido Popular Europeu (PPE), de facto, há um capítulo sobre a "proteção das fronteiras da Europa contra a imigração ilegal". Nesse capítulo, o PPE defende a necessidade de assegurar que "ninguém consegue entrar no território da União Europeia sem o conhecimento e aprovação explícita das nossas autoridades. Ao mesmo tempo, assumimos a nossa responsabilidade cristã e humanitária de ajudar aqueles que necessitam e melhorar as condições de vida nos seus países de origem".

Entre as medidas propostas destaca-se a de equipar a Agência Europeia da Guarda de Fronteiras (Frontex) com 10 mil novos agentes, "munidos da mais recente tecnologia, incluindo drones", para "pôr definitivamente fim ao negócio cínico dos contrabandistas e traficantes de pessoas". Ora, não se trata propriamente de "montar uma guarda costeira" ou "uma espécie de polícia de choque contra refugiados e migrantes", desde logo porque a Frontex já existe e a proposta centra a sua intervenção nos "contrabandistas e traficantes de pessoas". Ou seja, não é uma iniciativa "contra refugiados e migrantes", mas visa garantir a sua segurança.

Mais, o PPE propõe o lançamento de "um verdadeiro Plano Marshall para África. Vamos alavancar os investimentos privados e estimular o crescimento económico no continente vizinho de forma a assegurar que a juventude africana tenha uma oportunidade. Pessoas jovens com boas perspetivas de futuro em casa não deverão sentir mais a necessidade de abandonar os seus próprios países".

Em suma, ao ler a totalidade da proposta do PPE e não apenas o título (ou a primeira frase da primeira medida), conclui-se que afinal é bastante similar à "visão solidária" e "cooperação efetiva com os Estados-membros que são mais afetados com as migrações e parceria com África" que Marques defende como alternativa.

Na proposta do PPE não há qualquer referência à criação de uma "polícia de choque contra refugiados e migrantes", essa acusação é manifestamente falsa. Pelo contrário, assume-se a "responsabilidade cristã e humanitária de ajudar aqueles que necessitam e melhorar as condições de vida nos seus países de origem"

Avaliação do Polígrafo:

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