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Pedro Duarte dizia que preferia ver o PS a governar do que o Chega aliado ao PSD, mas na candidatura à Câmara do Porto admite o contrário?

Política
O que está em causa?
A justificação do social democrata é que, "em termos autárquicos, não faz sentido [haver] linhas vermelhas quanto a forças partidárias". No Porto, o seu ex-colega de partido, Miguel Corte-Real, pode mesmo convence-lo a conseguir um entendimento com o Chega.
© José Coelho/Lusa

Em entrevista ao “Observador“, esta sexta-feira, o candidato do PSD à Câmara Municipal de Lisboa (CML) admitiu que o cenário autárquico pode ser muito diferente do legislativo. Questionado sobre se, tendo até em conta que o candidato do Chega à Invicta já fez parte do PSD, vai ser ainda assim traçada uma “linha vermelha”, Pedro Duarte disse o seguinte: “Em termos autárquicos não faz sentido [haver] linhas vermelhas quanto a forças partidárias, faz sentido linhas vermelhas quanto a determinado tipo de princípios e políticas e há algumas de que eu não vou abdicar. Tenho um pensamento humanista desde sempre, personalista, em que a pessoa humana está acima de qualquer outra coisa e às vezes o Chega esquece-se muito desse tipo de valores e princípios e vai atrás de populismos, em que manifestamente não me revejo. Agora, isso não me dá o direito de ter caprichos ou amuos. E, portanto, tudo o que seja para o bom interesse da cidade do Porto, estarei disponível a conversar com toda a gente, não há qualquer dúvida.”

Em antecipação às “críticas”, o ex-ministro dos Assuntos Parlamentares de Montengero justificou a decisão com uma outra coligação improvável: “Talvez valha a pena lembrar para não dramatizar estas circunstâncias que, por exemplo, a última vez que o PSD ganhou as eleições autárquicas na cidade do Porto, com Rui Rio, não teve maioria absoluta e fez um acordo de coligação com o Partido Comunista Português, na altura bastante radical, e governou durante quatro anos como um vereador do Partido Comunista. A realidade local é muito diferente.” Tão diferente que Pedro Duarte e Miguel Corte-Real, que antes de se juntar ao Chega foi líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal do Porto até 2024, podem mesmo “liderar juntos” a autarquia portuense, um cenário que em 2020 era praticamente impensável para o social-democrata.

Em dezembro desse ano, em entrevista à Vichyssoise, programa da Rádio Observador, Pedro Duarte disse de forma clara que era preferível ser o PS a Governar do que o PSD juntamente com o Chega, um partido que, na altura, tinha pouco mais de um ano de vida política. Eis a sequência de perguntas e respostas:

“Se nas futuras eleições legislativas, existir uma maioria parlamentar de direita com o Chega o PSD não deve formar Governo e deve dar a vez ao PS, é isso?
Discordo de qualquer aproximação, seja de que natureza for, ao Chega.

No plano pragmático: se o PSD tiver hipótese de liderar uma maioria de direita com o Chega, não o deve fazer? Deve permitir ao PS governar?
Sim, sem dúvida alguma. Aí não tenho qualquer hesitação: o PSD não deve fazer qualquer espécie de acordo ou entendimento com o Chega, muito menos por razões oportunistas de alcançar o poder. É uma questão de princípio.

Alcançar o poder é um instrumento para mudar o país, para resolver aquilo que identificava com problemas estruturais. Se o PSD abdicar de uma oportunidade de chegar ao poder, não tem hipótese de transformar o país.
Com certeza, mas se o fizer atrelado ou condicionado ou dependente de um partido como o Chega transformará o país para pior.

O Chega deveria ser ilegalizado?
Não. Temos e devemos tolerar todos, principalmente aqueles de quem discordamos. O Chega deve ser combatido dentro das regras democráticas.”

As intenções de Pedro Duarte são agora de combater o partido de perto, se necessário com o ex-colega do PSD ao lado na Câmara Municipal do Porto.

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Avaliação do Polígrafo:

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