Depois de Margarida Botelho, do secretariado do PCP, ter dito ao jornal Público que tanto ela quanto Paulo Raimundo auferiam, como funcionários do PCP, cerca de 750 euros líquidos, o novo secretário-geral confirmou a informação numa entrevista dada ontem, dia 14, à CNN Portugal, em que também foi confrontado com a suposta contradição de defender salários mais altos mas auferir remunerações baixas. Resposta de Raimundo: "Quando temos uma realidade em que 75% dos trabalhadores ganham menos de mil euros e dois milhões ganham igual ou menos de 800 euros, mal estaria um partido (com as nossas características, naturalmente) onde os seus funcionários falassem de cor dos problemas. Nós falamos porque também os sentimos e com uma garantia: quanto mais rápida for a evolução salarial no conjunto dos trabalhadores portugueses, mais rápida é a evolução salarial nos funcionários do partido."

Será verdade que dois milhões de trabalhadores ganham 800 euros ou até um valor inferior?

De acordo com os últimos dados de "Gestão de Remunerações" da Segurança Social (pode consultar aqui), referentes ao mês de agosto de 2022, no que respeita ao trabalho dependente de pessoas singulares com remunerações base declaradas por mês e residentes em Portugal, regista-se um total de 3.921.242 pessoas singulares e 4.033.456 vínculos.

Ora, nos escalões de remuneração base (a 30 dias) até ao valor de 800 euros,contabiliza-se um total de 2.176.033 trabalhadores, entre os quais 1.106.063 do sexo feminino e 1.069.970 do sexo masculino.

Nos restantes escalões de remuneração base (a 30 dias) superior a 800 euros concentram-se os restantes 1.845.203 trabalhadores. Ou seja, cerca de 55% dos trabalhadores por conta de outrem declaram uma remuneração base igual ou inferior a 800 euros por mês.

Quanto ao número de trabalhadores com salário inferior a mil euros, basta acrescentar aos números anteriores a fatia de portugueses no ativo que aufere entre 801 euros e mil euros, um total de 651.221 trabalhadores, com uma diferença significativa que beneficia os homens neste escalão (assim como em todos os que se encontram acima deste).

Contas feitas, quase três milhões de trabalhadores recebem menos de mil euros mensais (mais precisamente 2.827.254). Do bolo total de portugueses no ativo, estamos a falar de 72% (menos 3 p.p.do que a percentagem apontada por Paulo Raimundo) a receber uma remuneração que não ultrapassa a barreira dos quatro dígitos.

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