O apoio do PSD nacional à candidatura de Maria das Dores Meira, antiga autarca da CDU em Setúbal, gerou polémica. Questionado sobre o tema, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, considerou que a decisão surpreendeu apenas pela forma como “o PSD nacional ultrapassou o PSD local”. Quanto à passagem de uma ex-dirigente comunista para o campo social-democrata, Raimundo foi direto: “Não é inédito, não é inédito. Temos outros casos. Eu diria assim: infelizmente, não é inédito.” Tem razão?
Sim. Entre os casos de antigos dirigentes do PCP que acabaram ligados ao PSD, destacam-se José Augusto da Silva Marquese Zita Seabra, enquanto a situação de Carlos Luís Figueira é mais ambígua.
José Augusto da Silva Marques foi militante comunista na clandestinidade, tendo participado em várias ações do PCP antes do 25 de Abril. No entanto, afastou-se do partido ainda antes da Revolução, deixando de intervir ativamente nas suas estruturas. Mais tarde integrou o PSD, onde desempenhou um papel de relevo: foi deputado, líder da bancada parlamentar e vice-presidente da Assembleia da República.
Já Zita Seabra foi uma figura central do PCP, tendo entrado para o partido ainda adolescente, participado na clandestinidade e chegado a integrar o Comité Central. Foi deputada pelo PCP após o 25 de Abril, mas acabou expulsa em 1988. Pouco depois, aderiu ao PSD, partido pelo qual foi deputada e onde até exerceu funções de vice-presidente em 2009.
O caso de Carlos Luís Figueira é diferente. Também ele foi dirigente comunista, membro do Comité Central e figura influente na região algarvia. Em 2002, rompeu com o PCP no contexto do movimento dos chamados “renovadores”. Mais tarde, em 2005, aceitou o cargo de chefe de gabinete do presidente da Câmara de Vila Real de Santo António, eleito pelo PSD. No entanto, nessa altura fez questão de afirmar que não era militante do PSD nem pretendia tornar-se membro do partido (RTP).
Assim, pode dizer-se que Silva Marques e Zita Seabra são exemplos claros de figuras do PCP que acabaram por integrar e militar no PSD, enquanto Carlos Luís Figueira, embora tenha trabalhado com autarcas sociais-democratas, não chegou a assumir formalmente a mesma trajetória partidária.
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