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Paulo Raimundo diz que “72% dos reformados vivem com pensões abaixo dos 500 euros”. Confirma-se?

Política
O que está em causa?
Num almoço-comício em Santarém, o secretário-geral do PCP lamentou que as medidas comunistas para "quem trabalha e trabalhou uma vida inteira" tenham sido sempre rejeitadas pela direita e pelo PS, sob a justificação de que "não há dinheiro". Nesse sentido afirmou que "nunca há dinheiro para os reformados, em particular para os 72% que vivem com pensões abaixo dos 500 euros", mas em contrapartida "há sempre dinheiro para os grupos económicos".

Ao discursar no âmbito de um almoço-comício da CDU (coligação entre PCP e PEV) em Couço, distrito de Santarém, Paulo Raimundo destacou as “medidas indispensáveis para os reformados, pensionistas e idosos de todo o país”, sublinhando que essas medidas “ao serviço de quem trabalha e trabalhou uma vida inteira” foram sempre chumbadas pelo PS, PSD, Chega e Iniciativa Liberal.

O secretário-geral do PCP apontou o dedo sobretudo aos partidos da direita por terem alegado “muitas das vezes” que não há dinheiro. “Nunca há dinheiro para os reformados, em particular para os 72% que vivem com pensões abaixo dos 500 euros, mas há sempre dinheiro para os grupos económicos”, criticou. E rematou: “Dinheiro há, está é muito mal distribuído”.

Mas será que a percentagem dos reformados com pensões inferiores a 500 euros é de 72%?

De acordo com o relatório da “Conta da Segurança Social de 2021” (última disponível, publicada em maio de 2023), o total de pensões de invalidez e velhice (regime geral) em 2021 era de 2.005.711 beneficiários.

Num gráfico apresentado nesse documento informa-se que “67,5% [1.353.182] dos pensionistas de velhice e invalidez auferiram um valor de pensão inferior ou igual ao valor do IAS (443,20 euros)”. Esta percentagem sobe para 82% (1.643.310 beneficiários) se tivermos em conta o escalão seguinte que engloba as pensões entre 443,21 e 664,79 euros.

No relatório não há um escalão intermédio que permita verificar a percentagem de pensionistas que se encontra entre 443,21 e 500 euros que se somaria aos 67,5% dos beneficiários que recebem até 443,21 euros.

Contudo, tendo por base os quase os 67,5% de pensionistas que recebem valor igual ou inferior a 443,21 euros e considerando que parte dos pensionistas que recebem “abaixo dos 500 euros” estão integrados no escalão que vai até 664,79 euros, parece ser seguro concluir que a percentagem total estará muito próxima dos referidos 72%.

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Avaliação do Polígrafo:

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