O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Paulo Núncio lembra que o CDS-PP votou contra “Constituição socialista”, mas Freitas do Amaral queria inscrever o “socialismo” no primeiro artigo da CRP?

Política
O que está em causa?
O deputado do CDS-PP recorreu esta terça-feira à rede social X para lembrar o ano de 1976, quando "os deputados do CDS foram os únicos com coragem de votar contra uma Constituição de cariz socialista". Com acusações de falta de memória, outros utilizadores recordaram Paulo Núncio de que o seu partido já lutou pelo "socialismo", nomeadamente através do seu fundador Diogo Freitas do Amaral.

“No dia da posse do novo Governo PSD/CDS-PP, evoco o dia 2/4/1976 quando os deputados do CDS foram os únicos com coragem de votar contra uma Constituição de cariz socialista. O CDS-PP, desde a sua fundação, é sinónimo de combate pela liberdade e pelo pluralismo”, escreveu esta terça-feira, na rede social X, o deputado e presidente do Grupo Parlamentar do CDS-PP Paulo Núncio.

Eleito pelo círculo eleitoral de Lisboa pela Aliança Democrática (AD), Núncio não esconde o orgulho na posição do seu partido em 1976, quando os 16 deputados do Centro Democrático Social votaram contra a Constituição da República Portuguesa (CRP). No X, vários utilizadores acusaram o centrista de “falta de memória”. Para isso, bastou lembrar Diogo Freitas do Amaral.

Para o fundador do CDS-PP, esta era uma Constituição “predominantemente marxista”. Contra todas as expectativas, aquele centrista preferia o socialismo. É que, em julho de 1975, o seu partido pedia que o primeiro artigo da CRP – que agora se lê assim: “Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na sua transformação numa sociedade sem classes” – fosse escrito assim: “Portugal constitui um Estado democrático, fundado na soberania popular, na liberdade individual, na solidariedade social e no pluralismo político, e orientado pelo respeito da dignidade do Homem na via original para um socialismo português.”

Segundo o arquivo histórico parlamentar, “as propostas para os artigos iniciais do texto constitucional refletem o período pós-revolucionário, apontando o socialismo, ainda que entendido de forma diversa, como o objetivo a alcançar em Portugal”.

Mas Freitas do Amaral não entendia o socialismo de forma “diversa”. Quando muito de forma moderada, tendo em conta as suas declarações sobre o movimento, em 1975: “O país deve ser governado ao centro. Isto significa que tudo faremos para que Portugal não venha a cair num neo-capitalismo materialista, que reduza os homens a escravos do dinheiro e do prazer, nem num socialismo totalitário, que elimine as liberdades em nome da omnipotência do Estado. Também nós, por isso, desejamos atingir um dia o ideal da sociedade sem classes. Só que, em nosso entender, esse ideal obtém-se na liberdade, pelo acesso de todos à propriedade individual, e não no totalitarismo, pela transformação de todos em proletários ao serviço do Estado.”

______________________________

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque